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Enquanto muitas terapias são investigadas no controle do coronavírus, essa é bastante promissora.

Lhamas e alpacas desenvolveram anticorpos que os cientistas ‘re-projetam’ no laboratório. Fonte: Universidade de Leitura.

Enquanto Fifi, a lhama, mastiga a grama em um pasto na Universidade, seu sistema imunológico forneceu o modelo para um avanço no tratamento do coronavírus.

Cientistas do Instituto Rosalind Franklin do Reino Unido usaram os anticorpos especialmente desenvolvidos pela Fifi para fazer uma terapia que estimula o sistema imunológico.

O “coquetel de anticorpos” específico para Covid, baseado nas lhamas, pode entrar em ensaios clínicos nos próximos meses.

A pesquisa foi publicada na Nature Structural and Molecular Biology.

Envolve “engenharia” de anticorpos de lhama, que são relativamente pequenos e muito mais simples do que os anticorpos do nosso sangue. Esse tamanho e estrutura significa que eles podem ser “redesenhados” no laboratório.

Desbloqueando o coronavírus

O professor James Naismith, diretor do Instituto Rosalind Franklin – e o principal pesquisador – descreveu a técnica como semelhante a cortar uma chave que se encaixa na trava do coronavírus.

“Com os anticorpos da lhama, temos chaves que não se encaixam – elas vão para a fechadura, mas não dão a volta”, disse ele.

“Então, pegamos essa chave e usamos a biologia molecular para polir partes dela, até que cortemos uma chave que se encaixe.”

Fonte: BBC News.

Os anticorpos fazem parte do que é conhecido como sistema imunológico adaptativo; são moléculas que essencialmente se transformam em resposta a vírus ou bactérias invasoras.

“Então, se você for re-infectado”, explicou o professor Naismith, “seu corpo irá procurar qualquer [partícula de vírus] com anticorpos presos ao seu redor e os destruirá”.

Esse tipo de terapia imunológica aumenta essencialmente o sistema imunológico de uma pessoa doente com anticorpos que já se adaptaram ao vírus.

Já existem evidências de que o sangue rico em anticorpos, coletado de pessoas que se recuperaram recentemente do coronavírus, poderia ser usado como tratamento. Mas o principal truque dessa terapia com anticorpos derivados de lhama é que os cientistas podem produzir anticorpos específicos para o coronavírus sob encomenda.

A pequena parte reprojetada do anticorpo da lhama também é conhecida como nanocorpo, disse o professor Naismith.

Os pesquisadores pretendem testar seus nanocorpos feitos em laboratório em testes com animais neste verão. Fonte: Andrew Brookes.

“No laboratório, podemos criar nanocorpos que matam o vírus vivo extremamente bem – melhor do que quase qualquer coisa que vimos”, acrescentou. “Eles são incrivelmente bons em matar o vírus na cultura”.

Os nanocorpos fazem isso ligando – ou bloqueando – o que é conhecido como “proteína de espiga” na parte externa da cápsula do vírus; desativar esse pico impede que ele obtenha acesso às células humanas.

Lhama Farmacêutica

“Essencialmente, estamos fazendo no laboratório o que todos os sistemas imunológicos fazem no corpo”, explicou o professor Naismith.

“E podemos fazer isso muito rapidamente, por isso, se o vírus mudar repentinamente ou recebermos um novo vírus, podemos projetar novos nanocorpos no laboratório”.

A equipe tem como objetivo testar sua terapia prospectiva em ensaios com animais neste verão, com o objetivo de iniciar ensaios clínicos no final do ano.

Fonte: BBC News / Victoria Gill
Tradução: Redação Ambientebrasil / Maria Beatriz Ayello Leite
Para ler a reportagem original em inglês acesse:
 https://www.bbc.com/news/science-environment-53369103

A grande ideia

As populações de gafanhotos, como as de muitos outros insetos, estão em declínio. Meus colegas e eu identificamos um novo culpado possível: as plantas que os gafanhotos dependem dos alimentos estão se tornando menos nutritivas devido ao aumento dos níveis de dióxido de carbono no ar.

Níveis sempre crescentes de dióxido de carbono na atmosfera tendem a promover o crescimento das plantas, fornecendo-lhes carbono extra. Mas todo esse carbono adicionado está espremendo outros nutrientes que os alimentadores de plantas – como insetos e pessoas – precisam para prosperar. Essas plantas de crescimento rápido acabam menos densas em nutrientes como nitrogênio, fósforo e sódio – mais como alface do que couve.

A Konza Prairie, uma pastagem protegida no Kansas, é uma área de pesquisa única: décadas de dados e influência humana mínima. Fonte: Ellen Welti, CC BY-ND.

Em nosso local de estudo em uma pradaria do Kansas, meus colegas e eu mostramos que, em mais de 40 espécies de gafanhotos, a população total está caindo em mais de 2% ao ano. Isso levou a uma redução geral no número de gafanhotos nas últimas duas décadas, de cerca de um terço. Esses declínios populacionais são paralelos ao declínio dos nutrientes das pastagens. As populações de gafanhotos variam ano a ano por várias razões, mas eu e meus colegas acreditamos que a diluição de nutrientes das plantas causada pelo aumento do CO2 é a razão mais provável para o declínio.

Isso se soma ao que chamamos de “hipótese de diluição de nutrientes”: o aumento do CO2 está tornando as plantas menos nutritivas e os insetos estão pagando o preço.

Por que isso importa

Até agora, os ecologistas se concentraram no uso de pesticidas e na perda de habitats nativos como causas do declínio de insetos.

Esses fatores provavelmente não estão na grande reserva nativa da pradaria onde trabalho. No entanto, o declínio de 2% ao ano nos gafanhotos que nosso estudo constatou é assustadoramente semelhante aos declínios de 2% relatados em estudos de longo prazo, feitos em todo o mundo, sobre mariposas e borboletas, cujos filhotes – lagartas – também são vorazes alimentadores de plantas.

Outros fatores, como o uso de pesticidas e a destruição de habitats, certamente estão afetando as populações de insetos em muitos lugares. Mas como o CO2 está aumentando globalmente, meus colegas e eu suspeitamos que a diluição de nutrientes provavelmente seja uma má notícia para os insetos que comem plantas em uma enorme variedade de habitats, tanto nos ecossistemas primitivos quanto nos degradados. E como os insetos são partes cruciais de todas as redes alimentares terrestres, sua perda afeta muitos outros organismos, de plantas a pássaros.

Como fazemos nosso trabalho

A Konza Prairie é uma grande pradaria protegida no nordeste do Kansas, e os pesquisadores vêm coletando dados sobre gramíneas, insetos e animais lá desde o início dos anos 80. Meus colegas e eu confiamos nesses dados de longo prazo e em amostras físicas de anos anteriores para realizar nosso estudo.

Os números de gafanhotos flutuam em um ciclo de aproximadamente cinco anos que segue as mudanças no clima, como a oscilação do sul de El Niño. Ter um conjunto de dados de décadas permitiu que meus colegas e eu separássemos claramente esses ciclos do declínio da população a longo prazo e ver como o aumento dos níveis de CO2 fazia parte.

Esse tipo de dado é surpreendentemente raro, o que levou a uma grande controvérsia em relação à onipresença do declínio de insetos. Locais como o Konza Prairie (parte da Rede de Pesquisa Ecológica de Longo Prazo, financiada pela NSF) estão na linha de frente ao documentar os ecossistemas em mudança na Terra.

Cópia de bloco de um gafanhoto vistoso (Hesperotettix speciosus) comendo uma folha de girassol. Fonte: Ellen Welti, CC BY-ND.

O que ainda não se sabe?

A diluição de nutrientes pelo CO2 é uma hipótese convincente devido a estar ocorrendo um declínio generalizado de insetos. Nossos dados combinam com outros experimentos que injetam CO2 nos ecossistemas e reduzem os nutrientes das plantas e o crescimento de insetos.

Mas dados sólidos sobre o número de insetos ao longo do tempo ainda são bastante raros, e ainda há mais perguntas do que respostas. Quão difundida é a diluição de nutrientes nos ecossistemas em todo o mundo? Os insetos que alimentam as plantas sofrem os maiores declínios? Quais ecossistemas serão os mais atingidos?

Atualmente, os ecologistas não possuem estimativas populacionais básicas para a maioria das espécies de invertebrados da Terra, que compreendem a grande maioria da diversidade animal.

Suspeito que se a diluição de nutrientes pelo CO2 for realmente generalizada, provavelmente afetará os ecossistemas e organismos da Terra – incluindo humanos – nas próximas gerações, pelo menos enquanto os combustíveis fósseis queimarem e os níveis de CO2 continuarem a subir.

Fonte: The Conversation / Ellen Welti
Tradução: Redação Ambientebrasil / Maria Beatriz Ayello Leite
Para ler a reportagem original em inglês acesse: 
https://theconversation.com/malnourished-bugs-higher-co2-levels-make-plants-less-nutritious-hurting-insect-populations-133051

Estudo revela que plantas liberam energia em forma de calor para evitar que o excesso de sol prejudique suas células (Foto: Pixabay)
As plantas precisam da luz solar para realizar a fotossíntese, processo que lhes permite armazenar moléculas de açúcar para continuarem crescendo. No entanto, muito sol pode desidratá-las e danificar suas folhas.

Em um novo estudo, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) descobriram uma estratégia que os vegetais usam para se proteger desse dano e dissipar a luz extra como calor. Para isso, a equipe usou um tipo de radiação eletromagnética e concluiu que o excesso de energia é transferido da clorofila, o pigmento que deixa a cor verde, para outros pigmentos chamados carotenóides, que podem liberar a energia como calor.

“Esta é a primeira observação direta da transferência de energia da clorofila para o carotenóide no complexo de colheita de luz das plantas verdes”, diz Gabriela Schlau-Cohen, autora sênior do estudo e professora assistente do Departamento de Química do MIT.

“Durante a fotossíntese, os complexos de captação de luz desempenham dois papéis aparentemente contraditórios. Eles absorvem energia para impulsionar a divisão da água e a fotossíntese, mas, ao mesmo tempo, quando há muita energia, eles também precisam se livrar dela”, dizem os cientistas.

Quando a luz solar atinge uma planta, proteínas especializadas conhecidas como complexos de captação de luz absorvem a energia da luz na forma de fótons, com a ajuda de pigmentos como a clorofila. Esses fótons impulsionam a produção de moléculas de açúcar, que armazenam energia para uso posterior.

No entanto, em condições de muito sol, eles convertem apenas cerca de 30% da luz solar disponível em açúcar, enquanto o restante é liberado como calor. Se esse excesso de energia é consegue permanecer nas células da planta, ele cria moléculas prejudiciais chamadas radicais livres que podem danificar proteínas e outras moléculas celulares importantes.

Dessa forma, a hipótese descoberta propõe que, uma vez que o complexo de captação de luz absorve os fótons extras, as clorofilas os repassam para as moléculas próximas, chamadas carotenóides. Os carotenóides, que incluem licopeno e beta-caroteno, são muito bons em se livrar do excesso de energia por meio de vibrações rápidas. Eles também são hábeis captadores de radicais livres, o que ajuda a evitar danos às células.

Segundo os cientistas, uma melhor compreensão do sistema de fotoproteção natural das plantas pode ajudá-los a desenvolver novas maneiras de melhorar o rendimento de culturas. “Se entendermos esse mecanismo, ao invés de apenas regular positivamente as culturas, poderíamos realmente otimizar o sistema e atingir 30% a mais de rendimento nas plantações”, estima Schlau-Cohen.
O mundo vai precisar de novas tecnologias que otimizem a produção de alimentos para fazer frente à fome que grassa entre nós.

Fonte: Revista Galileu

Os novos tempos, estão trazendo novos desafios ou seja conservar a sustentablidade/diversidade das espécies de plantas e animais na nossa biosfera; interferências humanas estão propiciando perdas mensuráveis da biodiversidade, o caso mais notório é a diminuição sistemática das abelhas, mas muitas outras espécies também sofrem perdas com consequentes impactos.

A lista de insetos que chamamos de vaga-lumes inclui mais de 2.000 espécies diferentes bem distribuídas pelo globo. Eles são famosos por emitir luz através de reações químicas internas em um processo chamado de bioluminescência, com o objetivo de atrair parceiros e se reproduzir. Enquanto isso, podem também atrair turistas curiosos: em países como Japão, China e Malásia, é comum que os brilhantes rituais de acasalamento dos insetos virem espetáculos para mais de 200 mil pessoas por ano. Mas esses espetáculos estão sob risco: inúmeras espécies do inseto estão enfrentando ameaças de extinção, segundo um novo relatório.

Não há muitos dados sobre o tamanho das populações de todas as espécies de vaga-lumes pelo mundo, mas algumas bastante estudadas, como o vaga-lume europeu comum (Lampyris noctiluca), vêm diminuindo nos últimos anos. Isso levou colocou especialistas em alerta.

O problema não é exatamente novo: estudos anteriores já haviam apontado para um possível “apocalipse de insetos”, com até 41% de espécies de insetos enfrentando sérios riscos de extinção. Mas o novo estudo focou especialmente nas ameaças a diferentes espécies de vaga-lumes – algo inédito até então.

Há três motivos principais que aumentam o risco de extinção dos bichos, segundos os pesquisadores. O primeiro é a perda de habitat: assim como outros animais, algumas espécies de vaga-lumes dependem de condições específicas para completar seus ciclos de vida. Pteroptyx tener, uma espécie de vaga-lume encontrada na Malásia e conhecida por seus voos brilhantes e sincronizados, por exemplo, está sob sério risco porque é adaptada ao manguezal do país. Nas últimas décadas, os mangues malasianos vêm sendo substituídos por plantações de óleo de palma.

O segundo motivo é o que mais surpreendeu os cientistas: poluição luminosa. Já se sabe que as luzes artificiais afetam os ritmos de diversos animais (incluindo os próprios humanos), mas elas são especialmente danosas para os vaga-lumes, que utilizam suas próprias luzes para atrair parceiros. Em um mundo onde pelo menos 23% da superfície é constantemente iluminada, esse processo fica mais difícil para os animais.

Outra ameaça é o aumento do uso de inseticidas. A maioria dos vaga-lumes passa por estágios larvais, em que ficam enterrados ou debaixo da água por até dois anos enquanto se desenvolvem. É nesse período que os insetos estão mais vulneráveis a inseticidas como neonicotinóides ou organofosfato – que são usados para matar pestes, mas que podem acabar afetando também insetos benéficos, incluindo os vaga-lumes.

A pesquisa também identificou algumas espécies que parecem estar especialmente ameaçadas. A Phausis reticulata, conhecidos como “fantasma azul” pelo forte brilho colorido que emite, está sob sério risco. Tudo porque as fêmeas da espécie não têm asas e dificilmente conseguem migrar de habitat caso ele seja destruído.

Por sorte, nem todos estão na pior. O Photinus pyralis, uma espécie de vaga-lume bastante comum na América do Norte, parece estar resistindo às ameaças e se adaptando a diferentes locais. Mas o problema permanece, e cientistas e ativistas vêm pensando em estratégias para preservar esses insetos tão únicos.

“Nosso objetivo é disponibilizar esse conhecimento para donos de terras, para quem cria políticas públicas e para fãs de vaga-lume em todo o mundo”, diz Sonny Wong, da Sociedade Natural da Malásia e coautor do novo artigo. “Queremos manter os vaga-lumes iluminando nossas noites por muito, muito tempo”.

É notória a diminuição dos vaga-lumes por todo o globo; não precisa ser um estudioso do assunto pra perceber a diminuição desses insetos; na minha infância, minha diversão noturna era correr atrás deles e capturá-los, não havia celular nessa época.

Fonte: Bruno Carbinatto – Super Interessante

Mosquito transmissor da dengue
Mosquito transmissor da dengue: clima mais quente favorece proliferação. (Joao Paulo Burini/Getty Images)

Existem cerca de 3,5 mil espécies de mosquitos conhecidos pela ciência no mundo, um número relativamente modesto considerando o universo dos insetos. Mas o impacto desses pequenos seres voadores na saúde e no bem-estar da humanidade é calamitoso.

Os mosquitos são um dos animais mais mortais do mundo. Sua capacidade de transportar e espalhar doenças entres os seres humanos causa milhões de mortes todos os anos, um quadro que deverá se agravar em um mundo cada vez mais quente.

Segundo um novo estudo, quase um bilhão de pessoas poderão enfrentar “sua primeira exposição” a uma série de doenças transmitidas por mosquitos entre 2050 e 2080 como consequência do aquecimento global.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que em 2015, apenas a malária causou 438.000 mortes. Nos últimos 30 anos, a incidência mundial de dengue aumentou 30 vezes, e mais países estão relatando seus primeiros surtos da doença.

A pesquisa, publicada no PLOS Neglected Tropical Disease, enfoca duas espécies que são particularmente perigosas para os seres humanos: o mosquito Aedes aegypti e o mosquito tigre asiático (Aedes albopictus).

Ambos carregam doenças virais, como dengue, zika, febre amarela e chikungunya, que transmitem aos seres humanos quando se alimentam de seu sangue. Para agravar, mais da metade da população mundial vive em áreas onde estas espécies de mosquitos estão presentes.

Os mosquitos transmissores de doenças são encontrados principalmente em regiões tropicais e subtropicais, em geral mais quentes e úmidas, como os países da América Latina, África central e da Ásia e, em menor medida, nos Estados Unidos e no sul da Europa. Mas a alta do termômetro promete afetar a distribuição geográfica dos mosquitos.

O estudo destaca que os países europeus e os da África Subsaariana seriam os mais afetados pelo aumento da incidência de casos de dengue, zika e chikungunya. A medida que esses destinos se tornam mais quentes e úmidos, eles criam um ambiente propício para a proliferação de mosquitos.

“A mudança climática é a maior e mais abrangente ameaça à segurança sanitária global”, diz o biólogo Colin Carlson, da Universidade de Georgetown, nos EUA, e co-autor do estudo. “Mosquitos são apenas uma parte do desafio, mas depois do surto de zika no Brasil em 2015, estamos especialmente preocupados com o que vem a seguir.”

Além disso, provavelmente haverá transmissões de doenças por mosquitos durante todo o ano nos trópicos e riscos sazonais em quase toda parte, a medida que os invernos se tornam mais curtos e quentes, aumentando a taxa de sobrevivência desses insetos.

Nossa melhor defesa contra as “picadas” é cumprir o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a menos de 2ºC até o final do século, destaca a pesquisa. Isso reduziria consideravelmente o aumento de doenças transmissíveis, já que um clima mais quente cria habitats mais amigáveis ​​aos mosquitos.

Apesar da gravidade que o assunto enseja, as pesquisas relativas à transmissão de doenças por mosquitos no contexto de aquecimento global e os impactos na saúde pública requerem recursos significativamente maiores, dizem os pesquisadores, que analisaram as temperaturas mês a mês e modelos de propagação de vírus para projetar o risco nas próximas décadas.

Considerando que o estudo analisou apenas duas espécies de mosquitos, é necessário expandir as pesquisas epidemiológicas e farmacológicas para outros vetores. “Temos uma tarefa hercúlea pela frente. Precisamos descobrir patógeno por patógeno, região por região, quando os problemas surgirão para que possamos planejar uma resposta global à saúde”, avalia o cientista.

Fonte: Exame

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O cientista Brad Lister retornou à floresta tropical de Luquillo, em Porto Rico, depois de 35 anos para descobrir que 98% dos insetos haviam desaparecido do solo.

Ele pode notar a diferença de cara: não havia pássaros em nenhum lugar.

Aos poucos, Lister chegou à conclusão aterradora: a população de insetos que uma vez forneceu alimento abundante para as aves em todo o montanhoso parque nacional havia desmoronado.

No chão, 98% tinham ido embora. Nas copas frondosas, 80% haviam desaparecido. “É um verdadeiro colapso das populações de insetos na floresta tropical. Começamos a perceber que isso é terrível – um resultado muito, muito perturbador”, disse.

Desastre ecológico

Os insetos são 17 vezes mais abundantes que os humanos na Terra, e fundamentais para a cadeia alimentar. Seu colapso beira um “Apocalipse Ecológico” e o culpado mais provável é, de longe, o aquecimento global.

O trabalho em Porto Rico é apenas um dos poucos estudos que avaliam essa questão vital.

Árvores em meio à neblina da floresta equatorial no Parque Nacional de Gunung Palung, na Ilha de Bornéu, na Indonésia. (FOTO DE TIM LAMAN, NAT GEO IMAGE COLLECTION).

Em todo assunto, há dois lados a considerar; quando pensamos nos cupins nas cidades e mesmo na agricultura, logo pensamos em como exterminá-los; entretanto o presente trabalho, nos trás novas perspectivas do ponto de vista da conservação, a importância que esses seres extremamente organizados, proporcionam ao meio ambiente de uma floresta, como decompositores.

Árvores, algumas das mais altas do mundo, erguiam-se diante de Hannah Griffiths e seus colegas toda manhã quando eles adentravam um trecho intacto de floresta equatorial na Bacia de Maliau, em Bornéu. Pássaros cantavam e animais silvestres apareciam de vez em quando. Um dia, um urso-malaio surgiu na frente deles. No outro, uma cobra real se esgueirou pelo caminho.

Contudo os cientistas continuavam andando, atravessando pontes suspensas e adentrando cada vez mais a floresta, onde haviam instalado uma série de experimentos para analisar os efeitos ecológicos de criaturas menores e menos chamativas: os cupins.

Os cupins, como eles já sabiam, dominam o chão da floresta, mastigando folhas que caem das árvores, escavando túneis e arejando o solo em uma verdadeira “engenharia” do ecossistema. Mas eles não conheciam exatamente a importância que os insetos têm na manutenção da saúde e do funcionamento da floresta—então tiveram que descobrir o papel dos cupins, retirando-os de uma determinada área da floresta e verificando a reação do ambiente.

Por sorte, eles começaram o experimento quando a floresta passava por uma grande estiagem, durante o fenômeno El Niño de 2015-2016. E o que eles descobriram—resumido em um estudo publicado na revista científica Science foi inesperado: os cupins estavam por toda parte—quase o dobro da quantidade encontrada em um ano com precipitação normal. E esses cupins ajudaram a floresta a suportar a estiagem e manter-se intacta e saudável: nas áreas ricas em cupins, o solo permaneceu úmido, mais sementes de árvores germinaram e o sistema prosperou, apesar do longo e duro período de seca.

“Eles são como um seguro ecológico”, afirmou Griffiths, entomologista da Universidade de York no Reino Unido. Os cupins, explica ela, acabaram protegendo a floresta do estresse das mudanças climáticas.

Cupins ao resgate

Os cupins têm má reputação. Eles viram notícia, pois consomem bilhões de dólares em bens todos os anos nos Estados Unidos—e, por vezes, literalmente comem dinheiro. Eles são responsáveis por cerca de 2% das emissões de carbono globais, apenas em razão de suas populações enormes e devido à tendência de se alimentarem de materiais ricos em carbono. Uma indústria inteira está direcionada ao extermínio deles.

Contudo, eles exercem um papel fundamental em muitos ecossistemas naturais. Os cientistas sabem há anos que, em florestas tropicais, os cupins alimentam-se de folhas caídas e madeira morta, mantendo o número de troncos caídos sob controle e devolvendo ao sistema nutrientes do material morto para serem usados por outras plantas, insetos e animais.

Foi muito difícil identificar o papel exato dos cupins em muitos dos ecossistemas habitados por eles—quem exatamente era responsável pela maior parte da arrumação do chão da floresta: os cupins, os micróbios do solo, as formigas ou todos eles juntos? Mas a equipe descobriu uma forma de exterminar os cupins, e apenas os cupins de algumas pequenas regiões da floresta, colocando montinhos de celulose envenenada como iscas—“bem parecidos com rolos de papel higiênico”, afirma Griffiths—que apenas os cupins eram capazes de digerir. O que restou foi um ecossistema praticamente livre de cupins que pôde ser comparado a ecossistemas não afetados, permitindo identificar o papel exato exercido pelos insetos.

Em anos sem estiagem, eles observaram, não havia muita diferença entre os lotes normais e aqueles em que eles retiraram os cupins. Entretanto, durante a estiagem, os efeitos foram acentuados. Onde havia mais cupins alimentando-se de depósitos de folhas mortas, o solo permaneceu úmido e sementes germinaram, ajudando a floresta a enfrentar a pior estiagem em 20 anos.

“Os cupins podem ser eficientes para abrandar as mudanças climáticas”, afirma Rob Pringle, ecologista da Universidade de Princeton, que não participou do estudo. “Quanto mais fizermos para tentar manter a integridade dos conjuntos de comunidades naturais, mais resistentes elas estarão aos desafios futuros, como as mudanças climáticas”.

Um futuro árido

Cientistas preveem que, com o avanço das mudanças climáticas, as estiagens da região podem se tornar mais severas, causando ainda mais estresse aos últimos fragmentos da floresta equatorial intocada de Bornéu, conta Jane Hill, entomologista da Universidade de York, que trabalha na floresta de Maliau há anos. Contudo, para ela, a mensagem está clara: os cupins são importantes para manter a integridade da floresta diante das mudanças climáticas.

Entretanto, a maior parte das florestas tropicais restantes no mundo—em Bornéu e em outros lugares—não é tão perfeita e inexplorada assim e, em muitas delas, as populações de cupins já foram drasticamente reduzidas. “Muitas florestas foram fragmentadas ou degradadas”, afirma Hill. “Qual o grau de resiliência delas?”.

E, em um futuro determinado pelo clima, até o reforço que os cupins podem oferecer à floresta pode não ser suficiente. “É evidente que os cupins têm o potencial de serem muito benéficos”, conta Carina Tarnita, ecologista da Universidade de Princeton, que não participou do estudo. “Mas o que acontecerá com eles após os efeitos das mudanças climáticas? Até quando conseguirão aguentar?”.

Para Griffiths, o seu próprio estudo lhe mostrou o quanto ainda temos que aprender sobre as inter-relações desse ecossistema com o ecossistema de florestas tropicais ao redor do mundo. Eles descobriram a verdadeira importância dos cupins ao sistema por acaso, porque decidiram estudar a estiagem, destaca ela. E isso “me preocupa”, prossegue, “porque me faz pensar no que mais não sabemos? Se começarmos a destruir comunidades biológicas, nunca conheceremos as consequências”.

Fonte: National Geographic.

Em muitos casos, a vida moderna, nos traz muitos problemas ambientais, que não nos damos conta, por exemplo, o que o uso de um simples protetor solar, tema ver com recifes de corais; qual a relação das pílulas anticoncepcionais, com a vida marinha; plantações de frutas com mudanças climáticas ou o uso de xampus com diminuição de de habitats de espécies de macacos; ainda os aromatizantes de ambiente com a saúde humana. Melhor prestar atenção a isso, senão vejamos.

A República de Palau e suas ilhas são um destino famoso entre os amantes de mergulho, por seus recifes intocados e vida marinha subaquática abundante
Palau proibiu o uso de protetores solares, produtos que impactam negativamente a vida marinha e também os recifes de coral

Palau se tornou o primeiro país a proibir o uso de protetores solares para proteger seus vulneráveis ​​recifes de coral.

Para muitos consumidores, os efeitos nocivos do produto talvez sejam uma novidade.

Mas pesquisadores acreditam que os 10 ingredientes químicos encontrados na composição dele são altamente tóxicos para a vida marinha e podem tornar os corais mais suscetíveis à descoloração.

O protetor solar, porém, está longe de ser o único produto do cotidiano com impactos negativos sobre o meio ambiente.

A seguir, confira outros cinco, que poderão lhe surpreender. Alguns deles, com riscos inclusive à saúde:

As pílulas anticoncepcionais

Um estudo realizado em 2016 na Suécia encontrou evidências de uma desvantagem incomum nas pílulas anticoncepcionais.

Lina Nikoleris, autora do estudo, descobriu que o hormônio etinilestadiol (EE2), uma versão sintética do estrogênio encontrado em algumas pílulas, estava mudando o comportamento e a genética de alguns peixes.

Quando liberado na água como um resíduo, o EE2 demonstrou ser a causa de mudanças no equilíbrio genético de peixes como o salmão e a truta, que têm mais receptores de estrogênio que os humanos.

Cartelas de pílulas anticoncepcionais
O efeito negativo de pílulas anticoncepcionais sobre o meio ambiente tem sido comprovado pela ciência

O estudo também identificou que esse hormônio torna mais difícil para os peixes capturar alimentos.

“Estudos anteriores mostraram que os peixes também desenvolvem problemas para procriar”, disse Nikoleris.

“Isso pode levar à extinção de toda uma população de peixes, assim como a outras consequências para ecossistemas inteiros.”

Abacates

Também há más notícias para os amantes do abacate. Este alimento também é prejudicial ao meio ambiente.

A organização holandesa Water Footprint Network, que faz campanha pelo uso mais eficiente da água, calculou que, para cultivar um único abacate, são necessários cerca de 272 litros de água.

Imagem mostra homem trabalhando em indústria de abacates
A produção em massa de abacates pode ser responsável por secas em algumas áreas

Os efeitos disso são devastadores para as regiões onde a fruta é cultivada.

Em 2011, uma investigação conduzida pelas autoridades de água no Chile encontrou pelo menos 65 plantações de abacate que desviam ilegalmente rios e outras fontes de água para irrigação.

Há quem culpe esses esses agricultores por uma forte seca que atingiu a região e forçou moradores a escolherem entre usar a água para beber ou tomar banho.

Abacaxis

Outro alimento popular também engrossa a lista dos que impactam o meio ambiente: o abacaxi.

A chamada “rainha das frutas” é cultivada a um ritmo que em algumas partes do mundo está afetando negativamente o planeta.

Na Costa Rica, um dos maiores produtores mundiais de abacaxis, milhares de hectares de florestas foram desmatados para dar lugar a essas frutas.

Imagem mostra homem jogando abacaxis na carroceria de um veículo
Para cultivar o abacaxi é preciso usar grandes quantidades de pesticidas

A Federação de Conservação da Costa Rica diz que florestas inteiras desapareceram da noite para o dia, causando danos irreversíveis.

Os abacaxis são produzidos em grandes monoculturas – a produção intensiva de um único cultivo – e exigem uma grande quantidade de pesticidas, que também podem ser prejudiciais ao meio ambiente.

Xampus

O óleo de palma é um dos óleos vegetais mais eficientes e versáteis do planeta, mas seu uso generalizado levou a um desmatamento expressivo.

Em um relatório de 2018, o grupo de conservação WWF alertou que a transformação de florestas tropicais e turfeiras em plantações de óleo de palma liberou “enormes quantidades de dióxido de carbono, alimentando mudanças climáticas e destruindo o habitat de espécies como os orangotangos”.

Enquanto muitos estão cientes da presença de óleo de palma em produtos comestíveis, como chocolate, margarina, sorvete, pão e biscoitos, menos gente conhece o seu papel em diversos produtos para o lar.

Prateleiras exibem várias marcas de xampu em uma loja
Produtos de uso cotidiano, como xampus, podem conter óleo de palma, cuja produção tem levado a grandes desmatamentos

No xampu, por exemplo, o óleo de palma é usado como uma forma de condicionador.

O mesmo óleo é encontrado em produtos como batons, detergentes para a roupa, sabonetes e pastas de dente.

Aromatizantes

Não é apenas com a poluição do ar que as pessoas devem tomar cuidado.

A má qualidade do ar dentro de casa, causada por produtos domésticos do dia-a-dia, como os aromatizantes, é tão ou mais preocupante.

Os aromatizantes muitas vezes contêm uma substância química chamada limoneno, comumente usada para dar um perfume cítrico ao ambiente, e também é usado em alimentos.

Aromatizante de ambientes

Não é o fato de conter um produto químico, por si só, que faz dele um grande perigo para a saúde.

Mas uma vez liberado no ar ele pode se tornar um problema.

Um experimento realizado pela BBC identificou que quando o limoneno reage com o ozônio presente no ar, produz formaldeído – um dos produtos químicos de uso atual mais comuns e cercados de riscos.

De acordo com informações publicadas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a exposição a altas concentrações desse produto pode causar falta de ar, salivação excessiva, espasmos musculares, coma e eventualmente a morte.

O formaldeído também é considerado cancerígeno para humanos.

Fonte: BBC

Além da abelha, outros animais produzem mel (Foto: Wikimedia Commons)
(FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)

São muitos os perigos para as abelhas nos dias de hoje. Agrotóxicos, doenças e até estresse estão ligados ao colapso de colméias dos polinizadores fundamentais para a produção de alimentos em todo o mundo. Enquanto diversos estudos apontam para o declínio das populações de abelhas, Dalial Freitak e Heli Salmela, da Universidade de Helsinque, buscam formas de salvá-las.

Trabalhado com insetos e o sistema imunológico ao longo de sua carreira, começando com mariposas, Freitak notou que, se a geração dos pais é exposta a certas bactérias através de sua comida, suas crias mostram respostas imunes elevadas.

Acontece que, diferente dos mamíferos, os insetos não tem nenhum sistema de memória imunológica, como os anticorpos, e a pesquisadora não entendia direito como o processo acontecia.

Foi então que, já na Universidade de Helsinque Dalial Freitak encontrou Salmela, que trabalhava com a vitelogenina, uma proteína que dá origem a formação da gema do ovo e tem ligação direta com o desenvolvimento das abelhas. Os cientistas descobriram que quando as abelhas rainhas comiam algo que causasse doenças, a vitelogenina era ativada e transmitia informações de respostas imunes futuras aos ovos da rainha, realizando a imunização.

“Agora descobrimos o mecanismo para mostrar que você pode realmente vacinar as abelhas. Você pode transferir um sinal de uma geração para outra”, afirmou Freitak.

Os pesquisadores planejam agora desenvolver uma vacina contra a loque americana, uma doença bacteriana que é a mais difundida e destrutiva entre as crias de abelhas. “Nós já iniciamos testes iniciais. O plano é ser capaz de vacinar contra qualquer micróbio”, afirma Freitak.

“Precisamos ajudar as abelhas. Mesmo um pouco teria um grande efeito na escala global. Claro, as abelhas também têm muitos outros problemas: pesticidas, perda de habitat e assim por diante, mas doenças surgem juntas com esses problemas de qualidade de vida”, continuou a pesquisadora.

“Se pudermos ajudar as abelhas a serem mais saudáveis ​​e se pudermos salvar até mesmo uma pequena parte da população de abelhas com essa invenção, acho que fizemos nossa boa ação e salvamos um pouco o mundo.”

Essa é a boa nova que o mundo esperava ansiosamente.

Fonte: Revista Galileu

Mosquito pica uma pessoa
Método eliminaria a capacidade de mosquito transmitir malária

Uma enzima encontrada em um camarão luminoso está ajudando pesquisadores a testar drogas que bloqueiam a transmissão da malária.

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) criaram um parasita transgênico e introduziram em seu DNA a sequência genética responsável pela produção da nanoluciferase, uma proteína fabricada comercialmente pela empresa americana de biotecnologia Promega a partir da substância extraída do crustáceo.

No laboratório, o micro-organismo transgênico é colocado em contato com a droga que se quer testar. Se ela for ineficiente, ou seja, incapaz de impedir a transmissão da doença, a nanoluciferase emite luz.

Inicialmente, foram testadas 400 substâncias, das quais nove se mostraram eficientes contra o parasita causador da malária. Elas funcionariam como uma espécie de “cura” do mosquito. Quer dizer, eliminariam a capacidade do inseto de transmitir a doença.

O ciclo de vida do parasita da malária

Plasmodium e células sanguíneas
Malária é causada em humanos por pelo menos cinco espécies do parasita plasmodium

Para entender o funcionamento do teste é preciso saber um pouco sobre o ciclo de vida do Plasmodium, o protozoário que causa a malária.

Segundo o pesquisador Daniel Youssef Bargieri, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), responsável pela equipe que criou o micro-organismo transgênico, a malária é causada em humanos por pelo menos cinco espécies do Plasmodium – mas são conhecidas cerca de cem, que infectam outros primatas, aves, répteis e vários mamíferos.

“No nosso laboratório, usamos como modelo de estudo o Plasmodium berghei, que infecta camundongos, não pessoas”, conta.

De acordo com Bargieri, o ciclo de vida do micro-organismo é complexo. “Ele se multiplica no sangue, dentro de hemácias. É essa proliferação que causa a doença que conhecemos como malária”, explica.

Durante o processo, contudo, parte dos parasitas no sangue pode se transformar em gametócitos, uma fase sexuada (ou seja, com machos e fêmeas) em que o protozoário deixa de se multiplicar.

Nessa fase, caso o indivíduo contaminado seja picado por um mosquito do gênero Anopheles, que é o agente transmissor do Plasmodium, o protozoário reinicia o ciclo, infectando outro hospedeiro.

Drogas mais eficazes para impedir a transmissão da doença

Hoje existem medicamentos que tratam a malária em humanos de maneira bastante eficaz. Em poucos dias, o paciente é curado. Essas drogas agem contra as formas do parasita que se multiplicam no sangue (aquelas que causam a doença).

“O tratamento não é muito eficaz, no entanto, contra os gametócitos”, diz Bargieri.

“Ou seja, a pessoa é curada, mas continua carregando as formas do micro-organismo que são transmitidas para o mosquito. Isso significa que, mesmo depois do tratamento, ela pode ser fonte de transmissão.”

Por isso, o pesquisador e seu grupo decidiram criar um modelo para testar drogas que sejam capazes de impedir que isso ocorra.

“Para isso, criamos o parasita transgênico que produz a nanoluciferase apenas quando há a formação de um zigoto”, explica o pesquisador.

Assim, ele emite luz quando os gametócitos se transformam em gametas e esses fertilizam para formar um zigoto – o que significa que a substância testada não é eficiente contra a transmissão.

Ele conta que o experimento foi feito em poços bem pequenos de placas de laboratório – cada uma delas tem 96, mas existem outras com 384 e 1.536 poços. Em cada um deles é colocada uma droga diferente.

“Depois, nós colocamos os gametócitos nos poços, em condições em que eles acham que estão no mosquito, isto é, em um meio de cultura que imita as condições encontradas pelo parasita no organismo do inseto”, explica Bargieri.

“Ocorre, portanto, a fertilização e, depois de seis horas, conseguimos medir quanto de luz cada pocinho emite. Se houver emissão, é porque ocorreu a fertilização. Caso contrário, é porque ela não aconteceu. Com esse micro-organismo transgênico, podemos testar milhares de drogas ao mesmo tempo, procurando aquelas que impedem a emissão de luz, ou seja, as que evitam a fertilização.”

Resistência do parasita leva à busca por novas drogas

Embora existam vários remédios eficientes para o tratamento da malária, sempre há uma corrida em busca de novos, pois, com o tempo, o parasita desenvolve resistência a eles.

Profissional faz exame em laboratório
Pesquisadores brasileiros já testaram 9 mil drogas para evitar a transmissão da malária

“Além disso, as drogas disponíveis atualmente são pouco eficazes contra as formas do micro-organismo que são transmitidas ao mosquito vetor. Há o interesse em se desenvolver medicamentos ou vacinas que possam bloquear a transmissão.”

De quatro das nove drogas promissoras não se conhecia a capacidade de evitar a transmissão da malária. Além das 400 iniciais, o grupo da USP já testou outras 9 mil.

“Agora, estamos avaliando os resultados e definindo as mais promissoras, para que sejam testadas em outros modelos com parasitas que infectam humanos”, informa Bargieri.

“Esses testes são realizados inicialmente oferecendo sangue infectado aos mosquitos”, explica.

“Caso as substâncias que encontramos sejam eficazes no bloqueio da infecção do inseto (bloqueio da transmissão), a etapa seguinte seria testar clinicamente.”

Além disso, o experimento também serviu para validar o método de triagem das substâncias.

Aquelas que se mostrarem com potencial contra a transmissão, entrarão em um grupo de drogas estudadas como potencialmente antimaláricas e que agem em diferentes estágios do desenvolvimento do parasita.

A ideia é que aquelas que bloqueiam a transmissão sejam administradas em combinação com os medicamentos atuais, de modo que a pessoa volte para casa curada e sem transmitir a doença.

E assim vamos avançando, eliminando os flagelos que nos assolam desde há muito; parabéns aos pesquisadores que sabemos que nem sempre têm à disposição, nem mesmo reagentes e a cada ano as esparsas verbas, são diminuídas.

Fonte: BBC