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As pegadas que deixamos na natureza, podem ser “APAGADAS”, pelo menos em parte nos oceanos, mediante uma nova tecnologia revolucionária, indo muito além da remoção pura e simples por iniciativa de pessoas, limitado ás praias; entretanto esse projeto é bem mais alvissareiro, vejamos.
Oceano com barreira de contenção
Objetivo do ‘projeto serpente’ é coletar lixo da chamada ‘ilha de lixo’ do Oceano Pacífico (Crédito: The Ocean Cleanup)

Quando o adolescente holandês Boyan Slat entrou no mar na Grécia há sete anos, ficou surpreso ao ver mais plástico do que peixe na água. Ficou tão incomodado com a poluição que começou a fazer campanha pela limpeza dos oceanos.

Durante muito tempo, poucas pessoas o levaram a sério. Era apenas um universitário com uma ideia na cabeça. Uma ideia que, à primeira vista, parecia estapafúrdia.

Mas, neste sábado, com o respaldo de grandes investidores e um ambicioso trabalho de engenharia, Slat conseguiu lançar um enorme sistema de coleta de plástico que se assemelha a uma serpente. O dispositivo saiu da baía de São Francisco (EUA) com destino à grande “ilha de lixo” do Pacífico – que fica localizada entre a Califórnia e o Havaí.

Até agora, o foco das campanhas de coleta de plástico tem sido nas praias e consiste, basicamente, em reunir voluntários ao redor do mundo para recolher sacolas plásticas e garrafas do litoral.

Mas poucas são as iniciativas de tentar limpar os oceanos por dentro.

Alguns especialistas se mostram céticos com a iniciativa de Slat. E, apesar dos testes e simulações digitais, ninguém sabe ao certo se a “serpente” vai funcionar.

Por um lado, alguns acham que poderia ser uma distração para o problema mais eminente: o despejo de plástico no mar. Por outro lado, há o receio de que a operação possa causar sérios danos à vida marinha.

Mas Boyan Slat e sua equipe da organização sem fins lucrativos The Ocean Cleanup (A Limpeza do Oceano, em tradução livre) estão convencidos de que a enorme quantidade de plástico nos oceanos exige ação imediata.

Boyan Slat
Até quem tem ressalvas em relação ao efeito prático da ideia de Boyan Slat aplaude a iniciativa de se tentar limpar os oceanos por dentro (Crédito: The Ocean Cleanup)

Qual é o objetivo?

O objetivo da equipe de Slat é alcançar o Pacífico oriental, em especial a ilha da sujeira, onde as correntes circulares marinhas têm concentrado uma grande quantidade de plástico em uma única área.

A meta é reduzir à metade a contaminação dessa área a cada cinco anos, de modo que em 2040 todo o lixo tenha desaparecido.

“Temos muita pressa”, disse Lonneke Holierhoek, diretora de operações do projeto, cuja sede fica em Rotterdam, na Holanda.

O governo holandês é um dos principais patrocinadores, junto com algumas empresas e investidores endinheirados. O projeto, estimado em pelo menos US$ 20 milhões (R$ 80 milhões), já deixou de ser uma ideia de um jovem para se transformar numa iniciativa internacional.

No escritório do projeto, é forte o cheiro de algas e lixo. Nas mesas e no chão, há caixas cheias de fragmentos de plástico, trazidos do mar em expedições anteriores e que representam um lembrete da tarefa que os envolvidos na empreitada têm pela frente.

“Se não fizermos isso”, diz Holierhoek, “todo esse plástico começará a se decompor em pedaços cada vez menores, e quanto menores as peças, mais prejudiciais serão e mais difícil será extraí-las do ambiente marinho.”

Holierhoek é uma engenheira que tem passado as últimas duas décadas dedicando-se a projetos distantes das costas. Não é uma ativista, mas alguém com grande experiência em trabalhar com enormes estruturas no mar.

Para ela, o projeto serpente é um esforço legítimo para tentar reverter a maré de contaminação. “Mais do que falar do problema ou de protestar, trata-se de tentar resolvê-lo”, afirma a engenheira.

Como funciona?

O principal elemento do “projeto serpente” é o sistema de coleta, que é passivo. Isso significa que não há mecanismos ou máquinas. Em vez disso, foi projetado para se mover e pegar gentilmente qualquer plástico em seu caminho.

A máquina tem a forma de uma cobra gigante e é composta por seções de tubos. Mede 600 metros de comprimento e flutua em forma de “U”. Por baixo, carrega uma tela de três metros.

O objetivo é que o sistema de coleta capture plásticos até formar uma massa densa. O peixe deve poder nadar debaixo dele e, como o aparelho tem superfícies lisas, a esperança é que nenhuma espécie sofra danos.

O sistema leva câmeras a bordo, cuja função é monitorar a operação. Aproximadamente a cada seis semanas, um navio viajará até a “serpente” para coletar todo o plástico coletado e levá-lo ao continente, onde será reciclado.

Baia de San Francisco.
“Temos muita pressa”, disse Lonneke Holierhoek, diretora de operações do ‘projeto serpente’ (Crédito: The Ocean Cleanup)

Todo material recuperado deve ser transformado em produtos a serem comercializados com o selo de “feitos a partir de plástico marinho”. Eles serão vendidos a um preço mais alto.

Quais são os potenciais problemas?

Alguns especialistas ouvidos pela BBC News temem que a vida marinha sofra danos.

Qualquer coisa que seja lançada ao mar se cobre de algas rapidamente, atraindo plânctons que, por sua vez, atraem peixes pequenos e, em seguida, peixes maiores.

É por isso que, por exemplo, frotas de pesca industrial instalam “dispositivos de agregação de peixes” para fazer o papel de engodo.

Mas Lonneke Holierhoek tem uma resposta a essas questões. Ela Afirma que um estudo ambiental independente descobriu que esse impacto pode ser minimizado, por exemplo, gerando um ruído pouco antes de o plástico ser coletado, a fim de afugentar o peixe.

Mas Sue Kinsey, da Sociedade de Conservação Marinha, é uma das que não está convencida de que o projeto serpente vai ajudar a resolver o problema da poluição sem causar danos.

Ela diz admirar a paixão e força de vontade dos envolvidos com o projeto, mas o vê com ressalvas.

Lixo coletado do mar
A cada ano, milhões de toneladas de lixo vão parar nos oceanos

“O principal problema são as criaturas que flutuam passivamente no oceano e não conseguem sair do caminho: uma vez que estão nesse campo, elas ficarão presas sem poderem se mover”, diz.

Ela também garante que, em termos de custo, é mais eficaz limpar as praias e se concentrar em evitar que mais plásticos cheguem aos oceanos.

O professor Richard Lampitt, do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido, também elogia o projeto, mas reconhece que grande parte do plástico que vai parar no mar afunda relativamente rápido, de modo que o esforço não faria uma grande diferença.

Lampitt também destaca os efeitos ao meio ambiente para a construção e execução do projeto serpente, que prevê a construção de 60 dispositivos de coleta e o transporte dos barcos em sua ida e volta, tudo para recuperar aproximadamente 8 mil toneladas de plástico por ano.

“A relação de custo benefício não é nada vantajosa”, diz o professor.

No entanto, um dos pesquisadores do projeto, Laurent Lebreton, diz que o esforço vale a pena. Ele argumenta que os resíduos humanos têm um impacto negativo no mundo natural.

Engenheiros trabalham no projeto
O plástico se tornou parte da cadeia alimentar”, diz Laurent Lebreton, um dos pesquisadores do ‘projeto serpente’ (Crédito: The Ocean Cleanup)

Lebreton mostra como um pequeno pedaço de coral branco cresceu em torno das fibras de uma velha rede de pesca e como na borda irregular de uma garrafa de plástico há marcas inconfundíveis de dentes deixados pela mordida de um peixe.

“Os peixes engolem esse plástico e esses mesmos peixes acabam em nosso prato mais tarde, o plástico se tornou parte da cadeia alimentar”, diz Lebreton.

“Há uma solução: primeiro você precisa ter certeza de que o plástico não entra no ambiente natural, e então você tem que coletar tudo o que acumulamos desde a década de 1950”, acrescenta.

O sistema de coleta levará três semanas para chegar à ilha de lixo, localizada a cerca de 2 mil quilômetros da costa da Califórnia.

Ainda neste ano, deverão estar disponíveis os primeiros resultados de como está funcionando o primeiro projeto serpente, que pretende limpar os oceanos por dentro.

Fonte: BBC

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Nem tudo são más notícias para o Brasil; agora  poderemos contar com soro antiapílico ( anti veneno  de abelhas) graças a uma pesquisa brasileira da Unesp, inédita no mundo.

Quem é picado por cobra, sabe que tem que correr para o hospital, pois o soro antiofídico pode salvar uma vida. Se alguém sofre acidente com aranha, escorpião também há medicamentos para cortar o veneno, mas e se for picado por abelhas? Agora existe soro para isso e é uma criação brasileira, da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em parceria com o Instituto Vital Brazil. O produto ainda está em fase de testes, mas já com ótimos resultados.

No Brasil, acontecem milhares acidentes com abelhas, todo ano, como aconteceu com a Camila Presoto em agosto de 2016. Ela e o marido tentavam resgatar uma vaga que estava caída em uma ribanceira, quando um enorme enxame se desprendeu de um tronco e impediu o resgate. As abelhas atacaram a Camila. “Foram em torno de 400 a 600 picadas. Sendo 80% na cabeça. Eu imaginei mesmo que ia morrer”, conta Camila.

Camila mora na cidade de Avaré, oeste do Estado de São Paulo, onde trabalha como professora. Mas, na época do acidente, vivia numa fazenda de produção de leite. “Fiquei bem deformada, com dor muscular, inchaço, mancha, me falaram que eu estava com insuficiencia renal”, lembra Camila.

Talvez a Camila não tivesse sobrevivido caso não houvesse sido transferida de Avaré para Botucatu, onde fica a Faculdade de Medicina da Unesp. A faculdade já estava com o soro antiapílico desenvolvido, mas o medicamento inédito nunca tinha sido aplicado em ninguém.

O soro antiapílico se refere a “apis”, que vem do latim, significa abelha. Não está à venda. É de uso exclusivo em pesquisa, só em dois lugares do país: a UPECLIN – Unidade de Pesquisa Clínica da Faculdade de Medicina de Botucatu; e o Hospital Nossa Senhora da Conceição da UNISUL, Universidade do Sul, em Tubarão, Santa Catarina.

Ela conta como aceitou ser cobaia. “Querendo ou não, os remédios que a gente toma para dor de cabeça, teve uma pessoa que experimentou”, fala Camila.

O soro antiapílico é colocado na bolsa de soro fisiológico e, gota a gota, vai sendo infundido lentamente. A quantidade depende do número de picadas.

Outra pessoa que recebeu o soro antiapílico foi o cabo Maurício Lofiego, da Primeira Companhia da Polícia Militar em Botucatu.

Maurício descreve que o meliante embrenhou-se no mato. Ao conduzir o mesmo de volta à viatura, eis que foram atacados por um enxame de abelhas. A sorte do policial foi ter sido levado rapidamente ao posto que fazia o ensaio clínico com o soro. “Eles apresentaram um estudo que estava sendo desenvolvido, que era o soro de abelha e se eu queria fazer parte desse estudo. Não tive sequela”, conta Maurício.
Quem fornece o veneno para a produção do soro antiapílico é o próprio Setor de Apicultura da Unesp de Botucatu, coordenador pelo professor Ricardo Orsi. Não é uma colheita abundante. A extração em dez mil abelhas proporciona apenas um grama de veneno em pó.  A técnica de colheita é antiga. Baseada em choque elétrico.

Usa-se uma placa de acrílico com arame ligado a uma bateria. A abelha não morre. “A gente se preocupa com o bem-estar animal, então a gente se preocupa em fazer uma colheita de forma adequada para que a gente não leve um prejuízo para o desenvolvimento do enxame como um todo”, explica Orsi.

O que muita gente não sabe é que quando a abelha pica um animal ou uma pessoa, a ela perde o ferrão, que crava na pele. Ao levantar voo, fica retida a pontinha do corpo onde está inclusive a bolsa de veneno, que fica pulsando, liberando pequenas gotas tóxicas.

No coletor, não acontece isso, não tem superfície para cravar o ferrão. Ao sentir um pequeno choque, a abelha identifica o objeto como um inimigo a ser eliminado. Ferroa, mas só libera o veneno. O veneno já solidificado é, então, raspado e recolhido a um pequeno tubo. Depois vai para purificação e processamento nos laboratórios do Cevap (Centro de Estudos de Animais Peçonhentos da Unesp).

A importância dos equinos na fabricação do soro

Para mostrar como se faz o soro, de Botucatu, o Globo Rural foi para um haras de Cachoeiras de Macacu, norte do Rio de Janeiro. No local fica a criação de cavalos do Instituto Vital Brazil, uma das 21 instituições brasileiras que produzem soros e vacinas.

A tropa de produção de soro do Instituto Vital Brazil recebe uma alimentação reforçada, equivalente a dos animais de trabalho. Oito quilos de capim picado por dia, mais quatro quilos de ração, sal mineral, pasto à vontade, além de música clássica. É quase um convite à meditação embalado por bufos e compassados movimentos de mandíbulas. A tropa recebe lida gentil. Nada chicote, ferrão, gritaria.

Da tropa sai material para a produção de soros contra cinco tipos de picadas de cobra; aranha, escorpião e abelha. O veneno trabalhado nos laboratórios da Unesp, chega pronto para ser injetado em sessões espaçadas ao longo de uma semana. Cada animal recebe, ao todo, meio litro. O equivalente às picadas de cinco mil abelhas, mas não é o veneno bruto.

“Um dos desafios tecnológicos desse soro foi a retirada da fração tóxica que gerava dor e alergia nos cavalos”, fala o veterinário Marcelo Strauch.

O veterinário Marcelo Strauch, que coordenou a parceria entre o Vital Brazil e a Unesp, lembra antes, o cavalo ficava prostrado de dor no chão de dor. Mas isso não acontece mais. O cavalo não sente como se estivesse sendo picado por uma abelha. Assim, o animal passa sem problemas a quarentena de produção de anticorpos, as imunoglobulinas que vão bloquear e neutralizar o veneno.

O Globo Rural acompanhou a sangria do cavalo identificado como 375. Funciona como uma doação. Patrícia Castanheira, responsável pelo setor de imunização, informa que o animal em produção de anticorpos passa por quatro sessões de doação. Em cada uma, tiram dele uma bolsa de sangue, com cerca de oito litros. Uma quantidade segura para o animal. Sangue precioso: é como se o cavalo 375 tivesse sido super vacinado e dado uma resposta hiperimune de anticorpos.

Não é todo o sangue que é retirado do cavalo que vai para a fabricação do soro. A parte líquida cor de guaraná, que é o plasma, delicadamente, vai para outra bolsa. A parte vermelha volta para a origem. No caso, o 375 recebe uma reinfusão.

Na sede e a área industrial do Instituto Vital Brazil, em Niterói, no Rio de Janeiro, o líquido é diluído em água de altíssima pureza e submetido a um sofisticado processo de separação  para que somente fiquem presentes os anticorpos produzidos pelo cavalo. Passa ainda por uma filtração esterelizante e um rigoroso teste de controle de qualidade para, então, ir ao envase.

“É a primeira vez que se faz no mundo, o soro antiapílico, com tecnologia desenvolvida totalmente no Brasil, pelo Cevap e Instituto Vilta Brazil”, conta diretor industrial do Vital Brazil, Luiz Eduardo Cunha.

O diretor industrial do Vital Brazil explica que o anticorpo é uma proteína com formato de ‘y’. A parte de baixo, que indica a origem equina, é cortada fora. As duas hastes de cima ficam no soro. Quando injetadas no corpo de uma pessoa, localizam as moléculas de veneno e ativam os fagócitos, os soldadinhos glóbulos brancos que vão eliminar as substâncias tóxicas.

O desenvolvimento do soro antiapílico é o resultado de mais de 20 anos de pesquisa da Unesp, especialmente, de dois cientistas: doutor Benedito Barraviera, um dos fundadores do Cevap; e doutor Rui Seabra, atual diretor da instituição e que dedicou mestrado, doutorado e pós-doutorado ao novo medicamento.

Mas o soro antiapílico ainda não está disponível. A Anvisa determina que seja feito também um ensaio de eficácia do produto com um grupo de 300 pacientes, Brasil afora. Tudo dando certo, como até agora, até 2020, o soro poderá estar na rede pública de saúde.

Fonte: Globo Rural

Passados quase três anos dessa data fatídica, do maior desastre ambiental do Brasil, conhecido como a tragédia de Mariana, vários estudos foram feitos sobre a população local, demonstrando os malefícios para a saúde das pessoas atingidas, sem falar das perdas de vidas e do irrecuperável dano ao meio ambiente; muito se falou, mas muito pouco foi feito para mitigar essa tragédia anunciada.
O maior desastre socioambiental do país no setor de mineração deixou um rastro de destruição na zona rural do município de Mariana, como esta casa em Bento Rodrigues, em foto de novembro de 2015.
FOTO DE VICTOR MORIYAMA

Era começo de novembro de 2015 quando o lavrador Marino D’Ângelo Junior, morador de Paracatu de Cima, subdistrito de Mariana (MG), ouviu que a barragem de Fundão, depósito de rejeitos de mineração operado pela empresa Samarco, havia se rompido. “Ah, ela está longe, não vai haver problema”, pensou. Foi levar a filha à escola e voltou para trabalhar na horta e cuidar dos bichos. O almoço ainda não estava servido quando a esposa, Maria, começou a receber telefonemas de conhecidos. Aos poucos, o casal foi percebendo que o tal rompimento da barragem era mais sério do que eles haviam suposto a princípio.

Marino buscou a filha na escola e reuniu em sua chácara a mãe, os sogros, a esposa e os dois filhos. Depois daquele dia, a vida da família e de quase todas as pessoas que eles conheciam se alterou drasticamente. Os rejeitos de minério de ferro contidos na barragem rompida se alastraram pela região como um tsunami de lama tóxica e destruíram o que havia pelo caminho. O maior desastre socioambiental do país no setor de mineração fez ruir centenas de imóveis, matou 19 pessoas e deixou milhares de moradores desabrigados.

“Encontramos prevalência de depressão de 28,9% na população de atingidos, cinco vezes mais do que o descrito pela OMS. (…) O transtorno de ansiedade generalizada foi diagnosticado em 32% dos entrevistados, prevalência três vezes maior que a brasileira.”

POR PESQUISA SOBRE A SAÚDE MENTAL DAS FAMÍLIAS ATINGIDAS PELO ROMPIMENTO DA BARRAGEM DO FUNDÃO EM MARIANA

A casa dos sogros de Marino, a poucos metros da dele, foi completamente destruída, com a lama chegando até o nível do telhado. Quando os rejeitos bateram à sua porta, Marino e família conseguiram fugir para o terreno de um vizinho, que ficava mais ao alto. Logo depois, a luz da região acabou. “Quando a lama chegou, eu estava na cozinha. O cheiro era podre e o barulho, absurdo: parecia um monstro urrando”, conta o lavrador de 49 anos à National Geographic, em conversa por telefone.

Localizada no município de Mariana (MG) e propriedade da mineradora Samarco, da Vale e da BHP Billiton, a barragem de Fundão rompeu em 5 de novembro de 2015. Mais de 32 milhões de m³ de rejeitos de minério de ferro foram despejados no meio ambiente, atingindo o Rio Gualaxo do Norte, desaguando no Rio Doce e chegando ao mar em 22 de novembro daquele ano. Ao longo de 650 km, diversos distritos de Minas Gerais e Espírito Santo foram atingidos.

O rompimento da barragem de Fundão fez ruir centenas de imóveis, matou 19 pessoas e deixou milhares de moradores desabrigados.
FOTO DE VICTOR MORIYAMA

“O risco de suicídio nesta população é de 16,4%, o que significa que esta parcela dos atingidos revelou já ter pensado, planejado ou tentado suicídio em algum momento da vida. O número é bastante alto.”

POR MAILA DE CASTRO, PESQUISADORA EM SAÚDE MENTAL

“A partir daquele momento, nosso universo estava todo destruído. Não havia mais nossas paisagens, nosso trabalho, perdemos o vínculo com os amigos”, desabafa Marino D’Ângelo Junior. Hoje, o trabalhador rural e a família moram a cerca de 2 km do distrito de Água Claras, em uma casa alugada. Além de ter se tornado diabético e estar hipertenso, Marino acabou desenvolvendo outras doenças nos últimos dois anos. Ele está com transtorno de ansiedade e depressão, e não é o único. “Essa lama não matou apenas 19 pessoas, ela continua nos matando até hoje”, sentencia.

Estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), encomendado pela Cáritas Brasileira, revela que os moradores da região atingidos pela lama apresentam problemas de saúde mental aumentados. A ocorrência de depressão na população de vítimas adultas (maiores de 18 anos), por exemplo, é cinco vezes maior do que a média da população brasileira. O transtorno de estresse pós-traumático, por sua vez, é 12 vezes maior nesta mesma faixa etária de atingidos do que a média da América Latina. O estudo revela ainda a ocorrência de estresse pós-traumático em 82% de crianças e adolescentes afetados diretamente pelo desastre. “É como se a memória da tragédia estivesse sempre voltando”, explica Maila de Castro, médica psiquiatra da faculdade de medicina da UFMG e responsável pela pesquisa.

Foram avaliados pelo estudo transtornos mentais como a depressão, o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno de estresse pós-traumático, o risco de suicídio e transtornos relacionados ao uso de substâncias. A depressão autodeclarada era de 15% antes da tragédia. Contudo, o diagnóstico de agora corresponde ao dobro disso, ou seja, cerca de 30% das vítimas apresentam quadro depressivo. Este número é cinco vezes maior do que a média do Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2015. Já o transtorno de ansiedade generalizada foi diagnosticado em 32% dos entrevistados, prevalência três vezes maior que a média brasileira.

Outro dado preocupante refere-se ao risco de suicídio nesta população: ele foi constatado em 16,4% dos entrevistados. Para obter este índice, o atingidos tinham que responder “sim” para pelo menos umas das perguntas que avaliavam este tópico — por exemplo, já ter pensado, planejado ou tentado suicídio em algum momento da vida. “O número é bastante alto”, observa Maila, “sobretudo se comparado a dados da literatura médica sobre doenças psiquiátricas”. Segundo o estudo, 4,4% dos atingidos entrevistados haviam planejado suicídio nos 30 dias anteriores à realização da pesquisa.

Maila explica que o estudo é transversal. Logo, não aponta a causalidade. Contudo, ele revela como estes moradores estão agora em termos de saúde mental. A literatura científica sobre catástrofes mundiais, conforme detalha o estudo da UFMG, aponta que distúrbios como depressão e estresse são amplificados em populações impactadas por desastres de naturezas diversas.

“Pés-de-lama”

Coordenado por Maila e Frederico Garcia, o estudo foi conduzido por uma equipe de mais de 60 pesquisadores, que rumou para a zona rural de Mariana em novembro de 2017, dois anos após a tragédia. A coleta de dados, segundo Maila, foi rápida e intensa. “Queríamos minimizar a exposição deles, pois a população já estava bem desgastada”, conta. Para fins de pesquisa, a equipe entrevistou apenas pessoas que tiveram a casa invadida pela lama, nos subdistritos de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Borba, Campinas, Pedras e Ponte do Gama. Segundo o estudo, mais de 72% dos atingidos entrevistados tiveram que deixar suas casas com urgência após o acidente, enquanto cerca de 70% sentiu que corria risco de vida.

Os rejeitos de minério de ferro contidos na barragem rompida se alastraram pela região como um tsunami de lama tóxica e destruíram o que havia pelo caminho.
FOTO DE VICTOR MORIYAMA

“Essa lama não matou apenas 19 pessoas, ela continua nos matando até hoje. Perdemos nossas paisagens, nosso trabalho, o vínculo com os amigos…”

POR MARINO D’ÂNGELO JUNIOR, LAVRADOR ATINGIDO PELO DESASTRE

A equipe abordou cerca de 480 indivíduos, mas apenas 270 foram entrevistados. “As pessoas ainda estão um pouco desconfiadas”, observa Maila. Segundo ela, mais de 60% dos atingidos diz ter sofrido preconceito de outros moradores, já que a mineração era o motor da economia local e, agora, as atividades da Samarco estão paralisadas na região. Por meio da assessoria de imprensa, a Samarco informou que não há previsão de retorno para as atividades e que cerca de um terço do quadro de funcionários da empresa foi dispensado. Esta situação, segundo Maila, tem aumentado o preconceito em relação aos atingidos, já que muitos moradores da região perderam seus salários, e agora são as próprias vítimas que recebem um valor mensal como forma de ressarcimento.

Durante a pesquisa, a equipe da UFMG constatou que a situação entre as crianças atingidas pela lama é bastante crítica. Muitas delas sofrem bullying nas escolas, sendo chamadas, por exemplo, de pés-de-lama. “As crianças voltavam para casa chorando”, conta a pesquisadora. Por conta disso, uma instituição de ensino apenas para os filhos das vítimas foi criada. Nas entrevistas, os pesquisadores puderam notar também o quanto o impacto não-material do rompimento continua a afligir aquelas pessoas. “Eles perderam a sensação de pertencimento”, avalia Maila. “Para o povo do interior de Minas Gerais, estar fora de casa significa muito. Pessoas que nasceram na zona rural foram colocadas na cidade. Perderam horta, cachoeira e toda uma tradição secular de vida”.

Coordenador operacional da Cáritas Brasileira de Minas Gerais, entidade que assessora os atingidos pelo desastre, Gladston Figueiredo diz que o resultado do relatório da UFMG não surpreende os que trabalham diretamente com os moradores da região devastada pela lama. “Nosso convívio com eles no dia-a-dia já havia nos alertado para isso: há muitas queixas por parte deles em relação a estresse e depressão”, observa ele. O estudo da UFMG foi encomendado pela Comissão dos Atingidos e pela Cáritas e os resultados devem munir as vítimas com dados para ampliar o diálogo com o serviço de saúde pública da prefeitura de Mariana e buscar mais políticas públicas específicas para esta situação.

Vidas rompidas

Marino vivia na região atingida pela lama havia mais de três décadas. Nascido em Ouro Preto (MG), mudou-se quando os pais adquiriram um terreno por lá e a família começou a trabalhar com vacas de leite. Conheceu Maria, casaram-se e construíram sua casa ali. Depois do desastre, a Samarco e a defesa civil tentaram hospedá-lo em um hotel na cidade de Mariana, mas ele bateu o pé e disse que não iria. Conseguiu, então ser removido para a casa alugada em Águas Claras, onde está até hoje. A casa é subsidiada pela Fundação Renova, entidade sem fins lucrativos criada para tratar da reparação e da compensação dos problemas sociais e ambientais decorrentes do rompimento da barragem de Fundão.

estatuto de criação da Renova, chamado de Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC),  foi assinado pela Samarco, os governos de Minas Gerais e Espírito Santo, e diversos órgão do governo federal, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e a Agência Nacional de Águas (ANA). O estudo da UFMG mostra que cerca de 85% dos entrevistados reside em domicílios alugados pela Renova. Quando questionados sobre a qualidade da assistência indenizatória recebida pela entidade, 3,5% deles a classificaram como ótima; 28% como boa; 26,7% como regular; 11,6% como ruim e 10,2% como péssima. Mais de 18% dos entrevistados não quiseram ou não souberam responder a esta questão.

O estudo da UFMG foi conduzido por uma equipe de mais de 60 pesquisadores, que rumou para a zona rural de Mariana em novembro de 2017, dois anos após a tragédia. Entrevistas foram feitas com atingidos nas localidades de Bento Rodrigues (foto), Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Borba, Campinas, Pedras e Ponte do Gama.
FOTO DE VICTOR MORIYAMA

“O processo tem sido realmente lento e moroso, e é por isso que as pessoas estão ficando doentes.”

POR GLADSTON FIGUEIREDO, COORDENADOR OPERACIONAL DA CÁRITAS BRASILEIRA

Apesar de ter recomeçado a criar porcos e cabras, Marino sente que sua vida está estagnada, o que agravou o quadro depressivo. “É muito ruim viver em algo que não é seu, a gente não consegue planejar o futuro”, lamenta ele, “estamos vivendo a vida que a empresa impôs”. Para o trabalhador rural, a Fundação Renova está restringindo direitos, em vez de garanti-los. “A empresa quer ganhar tempo. Nossas vidas estão paradas e não há prazo para nossas questões serem resolvidas”.

Informada sobre a porcentagem de insatisfação dos moradores (cerca de 22% classificou a assistência da entidade como ruim ou péssima; e 18% não respondeu à questão), a Fundação Renova argumentou que o processo de reparação é bastante complexo, não só pelo ineditismo das soluções que precisam ser encontradas, mas também pelo ambiente de “alta informalidade” em que o processo se desenvolve. A entidade informa que cerca de 20 mil pessoas são assistidas pelos auxílios financeiros implementados por ela e que R$ 3,6 bilhões foram destinados para ações de reparação e compensação. A entidade se diz empenhada em discutir e encaminhar as ações de reparação com participação efetiva das comunidades impactadas, por meio de reuniões que já contaram com a participação de cerca de 58 mil pessoas.

Por fim, a Renova informa que irá desenvolver um estudo para avaliar a tendência de aumento de transtornos mentais nesta população, incluindo o uso de álcool e outras drogas. O relatório deverá estar concluído em fevereiro de 2019 e seus resultados serão usados para nortear novas ações na área da saúde.

“O processo tem sido realmente lento e moroso”, acredita Gladston Figueiredo, da Cáritas, “e é por isso que as pessoas estão ficando doentes”. Para ele, o rompimento dos padrões de vida dessa população e a falta de perspectiva para uma resolução apropriada faz com que os moradores se sintam enganados, além de o reassentamento ser discutido mais lentamente do que os atingidos gostariam. “Eles dizem que a Renova está empurrando as questões com a barriga”.

Para Marino, os idosos são os que estão sofrendo com a readaptação pós-tragédia. “Eles passaram a vida inteira naqueles lugares e agora são obrigados a morar na cidade”, relata. O lavrador conta que, quando a lama ainda estava “fresca”, todo dia tinha um repórter na região. Mais de dois anos se passaram e ele teme que a causa seja gradativamente deixada de lado. “É muito triste ficar brigando pra conseguir ter sua vida de volta”.

Como dizia um conhecido repórter, até ao próximo escândalo.

Fonte: National Geographic

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Quando se diz que o Brasil tem um dos comércios mais fechados do mundo, sendo que nossas exportações representam cerca de 1,2% do comércio mundial, segundo a última projeção, sendo apenas o 250 (dados de 2014),  na lista de países exportadores, sendo superado por Tailândia, Suíça e Malásia, dado esse vergonhoso,considerando muitas variáveis; desde criança ouço dizer que somos o país do futuro, possivelmente nunca verei esse futuro chegar. Com tantos índices negativos batendo à nossa porta,  vez ou outra uma notícia alvissareira aparece, como a seguir.

A pesquisa de um professor brasileiro pode ser um passo importante na descoberta de medicamentos para prevenção de Alzheimer e Mal de Parkinson. O estudo do professor Leandro Bergantin, da Universidade Federal de São Paulo, pretendia elucidar o mecanismo pelo qual os bloqueadores de cálcio, usados para reduzir a pressão arterial, por vezes tinham o efeito contrário, porém, no decorrer do trabalho, ele percebeu que o medicamento poderia ser voltado para doenças neurodegenerativas e psiquiátricas.

“Um importante estudo clínico publicado em 2016 descreveu que pacientes hipertensos, os quais faziam uso de bloqueadores de canais de cálcio, possuíam uma significante redução da incidência de Mal de Alzheimer. A partir dessa nossa descoberta, a qual elucida o enigma do “paradoxo de cálcio”, pudemos inferir no mecanismo celular pelo qual os bloqueadores de canais de cálcio também poderiam reduzir a incidência de Mal de Alzheimer”, explicou Leandro Bergantin, doutor em ciência e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O livro publicado a partir da pesquisa, intitulado From discovering “calcium paradox” to Ca2+/cAMP interaction: Impact in human health and disease, esteve entre os mais vendidos da Amazon. Ainda sem versão para o português.

Não há uma previsão para a conclusão dos estudos, que estão sendo feito em parceria com pesquisadores estrangeiros, no entanto, o resultado pode ser um grande avanço para o tratamento de doenças cada vez mais presentes com o envelhecimento populacional.

Cada centavo investido em educação e pesquisa, credencia um povo a galgar grandes feitos de retorno, haja visto o exemplo da Coréia do Sul, que em pouco mais de 3 três décadas saiu do idade da caverna para se tornar um país de ponta; quiçá o futuro venha antes.(Fonte: Agência Brasil).

Tratamento

Novos remédios serão produzidos por quatro laboratórios públicos e sete empresas privadas

O Brasil está passando por um ciclo vicioso, como raras vezes visto, talvez apenas na década de 80, considerada por muitos como a década perdida, que se traduz em uma crise econômica, social, política, vivenciando tempos de estagflação ( estagnação econômica com inflação muito acima da meta), desemprego na casa dos dois dígitos, com os consequentes adventos nocivos à toda sociedade; crise política alimentando a crise econômica, que se retro alimenta, daí o ciclo vicioso. Investimentos de fora receiam chegar ante o caos político instalado; mas nem tudo são más notícias. Vejamos.

O Ministério da Saúde irá investir cerca de R$ 443 milhões por ano para a transferência de tecnologia e aquisição de cinco medicamentos biológicos, que são aqueles produzidos a partir de células vivas, com recursos de biotecnologia.

As novas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) foram anunciadas, nesta quinta-feira (8), durante a 12º reunião do Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde (GECIS). Elas irão diminuir o custo dos medicamentos e incentivar a produção nacional.

Os novos medicamentos, que ao final do processo de transferência de tecnologia serão produzidos por quatro laboratórios públicos e sete empresas privadas, já fazem parte do rol de fármacos distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, todos os biológicos representam apenas 4% da quantidade distribuída pelo SUS e 51% do orçamento da compra.

Ao todo, são cinco medicamentos: adalimumabe e infliximabe (artrite reumatoide); filgrastima e Rituximabe (oncológico); Samatropina (hormônio do crescimento). 

 O ministro da Saúde, Ricardo Barros, ressaltou a importância no investimento em novas tecnologias. “A indústria nacional tem crescido muito no setor saúde. Os laboratórios oficiais terão os recursos necessários para sua atualização e produção de novos medicamentos e produtos. Nosso interesse é comprar o tratamento completo para a população, não apenas medicamentos”, destacou.

Radioterapia

Além das novas parcerias, o ministro anunciou o lançamento do edital para transferência de tecnologia de radioterapia. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (8).

As capacitações, que fazem parte do Plano de Expansão da Radioterapia no SUS, darão oportunidade a Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs) adquirirem conhecimento nas áreas de desenvolvimento e operação de softwares para planejamento 3D, softwares embarcados nos aceleradores lineares e eletronic portal imagining device.

A cooperação será com Varian Medical Systems, empresa contratada pela pasta para execução da ampliação do atendimento oncológico no País. Ao todo, cerca de R$ 500 milhões foram investidos para a aquisição de 80 aceleradores lineares, além da realização de projetos e obras. O Ministério da Saúde estuda a aquisição de outros 20 equipamentos por meio de aditivo ao contrato, firmado em 2014 para a compra dos 80 aparelhos.

Outra iniciativa é a criação de cinco Grupos de Trabalho para discussão de temas relevantes para o complexo industrial. Entre os assuntos estão a revisão do marco regulatório da área; tributos e relações bilaterais; planos de expansão da radioterapia; rotas tecnológicas e propriedade intelectual. As reuniões iniciam em 2017 e, além do Ministério da Saúde, participarão Casa Civil, Ministério do Desenvolvimento, ANS, ANVISA, FIOCRUZ, associações representantes da indústria, entre outros.

Também foi apresentado o projeto de formulário eletrônico para envio de propostas das PDPs. A nova ferramenta, que deve estar disponível na próxima rodada de negociações, trará mais agilidade, uniformidade e segurança ao processo. Essa padronização será tanto no preenchimento das propostas quanto no envio e, posteriormente, em sua avaliação e acompanhamento.

Balanço

O Ministério da Saúde conta com 86 parcerias de desenvolvimento produtivo vigentes, envolvendo 18 laboratórios públicos e 43 privados para o desenvolvimento de 88 medicamentos, quatro vacinas e 13 produtos da área da saúde.

Com o anúncio desta quinta-feira (8), serão incorporados mais sete parcerias ao rol já existente. As PDPs têm como objetivo transferir tecnologias para a produção nacional de medicamentos, insumos e tecnologias estratégicas para a saúde. O prazo máximo para a conclusão do projeto, com a finalização da transferência de tecnologia, será de até dez anos.

Oxalá, essas parcerias sejam portadoras de novos tempos.

Fonte: Ministério da Saúde

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A lei da Água

A vida na terra, tal qual a conhecemos está alicerçada, substancialmente  à sustentabilidade, hoje já ultrapassamos os 7 bilhões de habitantes, a julgar pela exploração desenfreada de nossos recursos naturais, aliados à gigantesca poluição e contaminação de nossos recursos hídricos, fatalmente não será difícil imaginar o nosso futuro desastroso; os críticos desse panorama, dizem que as novas tecnologias prometem resolver ou conviver com o problema da sustentabilidade, será? Haverá espaço para todos, mas os recursos existirão?

A agência espacial norte-americana não está preocupada somente com o que ocorre no céu e nos confins do universo. Ela também está de olho no que pode ocorrer em nosso planeta. E para os problemas da Terra, ela aplica a mesma filosofia que usa para o espaço: não há melhor maneira de solucionar algo do que antecipar-se ao acontecimento.

Para a NASA, um dos problemas mais graves seria o fim da civilização ocidental. Esta catastrófica realidade foi imaginada em um estudo financiado com recursos da organização. Neste trabalho foram analisados os motivos que acabaram com outros impérios no passado, como o romano. E a conclusão é clara: a história pode voltar a se repetir.

Duas importantes realidades estavam presentes em várias sociedades que colapsaram,” diz a conclusão da pesquisa. “A exploração dos recursos devido a uma tensão excessiva sobre a capacidade de produção ecológica e a estratificação da sociedade em elites e classes.” Ou seja, as civilizações que ruíram eram basicamente injustas e exploravam excessivamente os recursos naturais até esgotá-los. Alguma semelhança com a realidade atual?

Os pesquisadores asseguram que nas sociedades pouco igualitárias é difícil evitar o colapso: “Nelas, as elites crescem e consomem muito, o que causa fome entre as classes mais baixas, algo que finalmente leva ao colapso.”

Nestes casos, os mais ricos continuam se aproveitando dos recursos, enquanto os demais passam dificuldades, “exacerbando o problema,” conforme ressaltam os especialistas.

Ainda que nos últimos anos o tema do meio ambiente e da preservação de recursos tenha sido levado mais a sério, os pesquisadores acreditam que está surgindo um novo problema e que a raiz da situação não foi solucionada: “A tecnologia para aumentar a eficiência no consumo de combustível nos carros fez com que a venda de veículos disparasse, com que as novas unidades fossem mais pesadas [e, portanto, consumissem mais] e com que a velocidade na qual eles são conduzidos aumentasse.”

Todas estas situações “engolem” o suposto avanço da eficiência do consumo para proteger o meio ambiente: os carros precisam de menos gasolina para funcionar, mas como cada vez há mais veículos, mais pesados e que andam mais rápido, acabamos consumindo a mesma quantidade de alguns anos atrás.

Os autores dedicam algumas palavras para todos aqueles que pensam que suas conclusões são exageradas e que a sociedade atual é imune a problemas do passado: “Uma olhada rápida sobre todas as sociedades que colapsaram nos últimos séculos demonstra não apenas a ubiquidade do fenômeno, mas também a realidade de que sociedades fortes, ricas e poderosas também podem vir abaixo.”

Os pesquisadores finalizam seu relatório com uma conclusão clara que pode solucionar todos os futuros problemas: “O colapso pode ser evitado e a população pode chegar a um estado de máxima capacidade se a taxa de exploração da natureza se reduzir a um nível sustentável e se os recursos forem compartilhados de uma forma equitativa.”

Oxalá, consigamos reverter ou parar o processo de devastação, até agora os esforços nesse sentido parecem ser infrutíferos.

WTB