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Passados quase três anos dessa data fatídica, do maior desastre ambiental do Brasil, conhecido como a tragédia de Mariana, vários estudos foram feitos sobre a população local, demonstrando os malefícios para a saúde das pessoas atingidas, sem falar das perdas de vidas e do irrecuperável dano ao meio ambiente; muito se falou, mas muito pouco foi feito para mitigar essa tragédia anunciada.
O maior desastre socioambiental do país no setor de mineração deixou um rastro de destruição na zona rural do município de Mariana, como esta casa em Bento Rodrigues, em foto de novembro de 2015.
FOTO DE VICTOR MORIYAMA

Era começo de novembro de 2015 quando o lavrador Marino D’Ângelo Junior, morador de Paracatu de Cima, subdistrito de Mariana (MG), ouviu que a barragem de Fundão, depósito de rejeitos de mineração operado pela empresa Samarco, havia se rompido. “Ah, ela está longe, não vai haver problema”, pensou. Foi levar a filha à escola e voltou para trabalhar na horta e cuidar dos bichos. O almoço ainda não estava servido quando a esposa, Maria, começou a receber telefonemas de conhecidos. Aos poucos, o casal foi percebendo que o tal rompimento da barragem era mais sério do que eles haviam suposto a princípio.

Marino buscou a filha na escola e reuniu em sua chácara a mãe, os sogros, a esposa e os dois filhos. Depois daquele dia, a vida da família e de quase todas as pessoas que eles conheciam se alterou drasticamente. Os rejeitos de minério de ferro contidos na barragem rompida se alastraram pela região como um tsunami de lama tóxica e destruíram o que havia pelo caminho. O maior desastre socioambiental do país no setor de mineração fez ruir centenas de imóveis, matou 19 pessoas e deixou milhares de moradores desabrigados.

“Encontramos prevalência de depressão de 28,9% na população de atingidos, cinco vezes mais do que o descrito pela OMS. (…) O transtorno de ansiedade generalizada foi diagnosticado em 32% dos entrevistados, prevalência três vezes maior que a brasileira.”

POR PESQUISA SOBRE A SAÚDE MENTAL DAS FAMÍLIAS ATINGIDAS PELO ROMPIMENTO DA BARRAGEM DO FUNDÃO EM MARIANA

A casa dos sogros de Marino, a poucos metros da dele, foi completamente destruída, com a lama chegando até o nível do telhado. Quando os rejeitos bateram à sua porta, Marino e família conseguiram fugir para o terreno de um vizinho, que ficava mais ao alto. Logo depois, a luz da região acabou. “Quando a lama chegou, eu estava na cozinha. O cheiro era podre e o barulho, absurdo: parecia um monstro urrando”, conta o lavrador de 49 anos à National Geographic, em conversa por telefone.

Localizada no município de Mariana (MG) e propriedade da mineradora Samarco, da Vale e da BHP Billiton, a barragem de Fundão rompeu em 5 de novembro de 2015. Mais de 32 milhões de m³ de rejeitos de minério de ferro foram despejados no meio ambiente, atingindo o Rio Gualaxo do Norte, desaguando no Rio Doce e chegando ao mar em 22 de novembro daquele ano. Ao longo de 650 km, diversos distritos de Minas Gerais e Espírito Santo foram atingidos.

O rompimento da barragem de Fundão fez ruir centenas de imóveis, matou 19 pessoas e deixou milhares de moradores desabrigados.
FOTO DE VICTOR MORIYAMA

“O risco de suicídio nesta população é de 16,4%, o que significa que esta parcela dos atingidos revelou já ter pensado, planejado ou tentado suicídio em algum momento da vida. O número é bastante alto.”

POR MAILA DE CASTRO, PESQUISADORA EM SAÚDE MENTAL

“A partir daquele momento, nosso universo estava todo destruído. Não havia mais nossas paisagens, nosso trabalho, perdemos o vínculo com os amigos”, desabafa Marino D’Ângelo Junior. Hoje, o trabalhador rural e a família moram a cerca de 2 km do distrito de Água Claras, em uma casa alugada. Além de ter se tornado diabético e estar hipertenso, Marino acabou desenvolvendo outras doenças nos últimos dois anos. Ele está com transtorno de ansiedade e depressão, e não é o único. “Essa lama não matou apenas 19 pessoas, ela continua nos matando até hoje”, sentencia.

Estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), encomendado pela Cáritas Brasileira, revela que os moradores da região atingidos pela lama apresentam problemas de saúde mental aumentados. A ocorrência de depressão na população de vítimas adultas (maiores de 18 anos), por exemplo, é cinco vezes maior do que a média da população brasileira. O transtorno de estresse pós-traumático, por sua vez, é 12 vezes maior nesta mesma faixa etária de atingidos do que a média da América Latina. O estudo revela ainda a ocorrência de estresse pós-traumático em 82% de crianças e adolescentes afetados diretamente pelo desastre. “É como se a memória da tragédia estivesse sempre voltando”, explica Maila de Castro, médica psiquiatra da faculdade de medicina da UFMG e responsável pela pesquisa.

Foram avaliados pelo estudo transtornos mentais como a depressão, o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno de estresse pós-traumático, o risco de suicídio e transtornos relacionados ao uso de substâncias. A depressão autodeclarada era de 15% antes da tragédia. Contudo, o diagnóstico de agora corresponde ao dobro disso, ou seja, cerca de 30% das vítimas apresentam quadro depressivo. Este número é cinco vezes maior do que a média do Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2015. Já o transtorno de ansiedade generalizada foi diagnosticado em 32% dos entrevistados, prevalência três vezes maior que a média brasileira.

Outro dado preocupante refere-se ao risco de suicídio nesta população: ele foi constatado em 16,4% dos entrevistados. Para obter este índice, o atingidos tinham que responder “sim” para pelo menos umas das perguntas que avaliavam este tópico — por exemplo, já ter pensado, planejado ou tentado suicídio em algum momento da vida. “O número é bastante alto”, observa Maila, “sobretudo se comparado a dados da literatura médica sobre doenças psiquiátricas”. Segundo o estudo, 4,4% dos atingidos entrevistados haviam planejado suicídio nos 30 dias anteriores à realização da pesquisa.

Maila explica que o estudo é transversal. Logo, não aponta a causalidade. Contudo, ele revela como estes moradores estão agora em termos de saúde mental. A literatura científica sobre catástrofes mundiais, conforme detalha o estudo da UFMG, aponta que distúrbios como depressão e estresse são amplificados em populações impactadas por desastres de naturezas diversas.

“Pés-de-lama”

Coordenado por Maila e Frederico Garcia, o estudo foi conduzido por uma equipe de mais de 60 pesquisadores, que rumou para a zona rural de Mariana em novembro de 2017, dois anos após a tragédia. A coleta de dados, segundo Maila, foi rápida e intensa. “Queríamos minimizar a exposição deles, pois a população já estava bem desgastada”, conta. Para fins de pesquisa, a equipe entrevistou apenas pessoas que tiveram a casa invadida pela lama, nos subdistritos de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Borba, Campinas, Pedras e Ponte do Gama. Segundo o estudo, mais de 72% dos atingidos entrevistados tiveram que deixar suas casas com urgência após o acidente, enquanto cerca de 70% sentiu que corria risco de vida.

Os rejeitos de minério de ferro contidos na barragem rompida se alastraram pela região como um tsunami de lama tóxica e destruíram o que havia pelo caminho.
FOTO DE VICTOR MORIYAMA

“Essa lama não matou apenas 19 pessoas, ela continua nos matando até hoje. Perdemos nossas paisagens, nosso trabalho, o vínculo com os amigos…”

POR MARINO D’ÂNGELO JUNIOR, LAVRADOR ATINGIDO PELO DESASTRE

A equipe abordou cerca de 480 indivíduos, mas apenas 270 foram entrevistados. “As pessoas ainda estão um pouco desconfiadas”, observa Maila. Segundo ela, mais de 60% dos atingidos diz ter sofrido preconceito de outros moradores, já que a mineração era o motor da economia local e, agora, as atividades da Samarco estão paralisadas na região. Por meio da assessoria de imprensa, a Samarco informou que não há previsão de retorno para as atividades e que cerca de um terço do quadro de funcionários da empresa foi dispensado. Esta situação, segundo Maila, tem aumentado o preconceito em relação aos atingidos, já que muitos moradores da região perderam seus salários, e agora são as próprias vítimas que recebem um valor mensal como forma de ressarcimento.

Durante a pesquisa, a equipe da UFMG constatou que a situação entre as crianças atingidas pela lama é bastante crítica. Muitas delas sofrem bullying nas escolas, sendo chamadas, por exemplo, de pés-de-lama. “As crianças voltavam para casa chorando”, conta a pesquisadora. Por conta disso, uma instituição de ensino apenas para os filhos das vítimas foi criada. Nas entrevistas, os pesquisadores puderam notar também o quanto o impacto não-material do rompimento continua a afligir aquelas pessoas. “Eles perderam a sensação de pertencimento”, avalia Maila. “Para o povo do interior de Minas Gerais, estar fora de casa significa muito. Pessoas que nasceram na zona rural foram colocadas na cidade. Perderam horta, cachoeira e toda uma tradição secular de vida”.

Coordenador operacional da Cáritas Brasileira de Minas Gerais, entidade que assessora os atingidos pelo desastre, Gladston Figueiredo diz que o resultado do relatório da UFMG não surpreende os que trabalham diretamente com os moradores da região devastada pela lama. “Nosso convívio com eles no dia-a-dia já havia nos alertado para isso: há muitas queixas por parte deles em relação a estresse e depressão”, observa ele. O estudo da UFMG foi encomendado pela Comissão dos Atingidos e pela Cáritas e os resultados devem munir as vítimas com dados para ampliar o diálogo com o serviço de saúde pública da prefeitura de Mariana e buscar mais políticas públicas específicas para esta situação.

Vidas rompidas

Marino vivia na região atingida pela lama havia mais de três décadas. Nascido em Ouro Preto (MG), mudou-se quando os pais adquiriram um terreno por lá e a família começou a trabalhar com vacas de leite. Conheceu Maria, casaram-se e construíram sua casa ali. Depois do desastre, a Samarco e a defesa civil tentaram hospedá-lo em um hotel na cidade de Mariana, mas ele bateu o pé e disse que não iria. Conseguiu, então ser removido para a casa alugada em Águas Claras, onde está até hoje. A casa é subsidiada pela Fundação Renova, entidade sem fins lucrativos criada para tratar da reparação e da compensação dos problemas sociais e ambientais decorrentes do rompimento da barragem de Fundão.

estatuto de criação da Renova, chamado de Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC),  foi assinado pela Samarco, os governos de Minas Gerais e Espírito Santo, e diversos órgão do governo federal, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e a Agência Nacional de Águas (ANA). O estudo da UFMG mostra que cerca de 85% dos entrevistados reside em domicílios alugados pela Renova. Quando questionados sobre a qualidade da assistência indenizatória recebida pela entidade, 3,5% deles a classificaram como ótima; 28% como boa; 26,7% como regular; 11,6% como ruim e 10,2% como péssima. Mais de 18% dos entrevistados não quiseram ou não souberam responder a esta questão.

O estudo da UFMG foi conduzido por uma equipe de mais de 60 pesquisadores, que rumou para a zona rural de Mariana em novembro de 2017, dois anos após a tragédia. Entrevistas foram feitas com atingidos nas localidades de Bento Rodrigues (foto), Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Borba, Campinas, Pedras e Ponte do Gama.
FOTO DE VICTOR MORIYAMA

“O processo tem sido realmente lento e moroso, e é por isso que as pessoas estão ficando doentes.”

POR GLADSTON FIGUEIREDO, COORDENADOR OPERACIONAL DA CÁRITAS BRASILEIRA

Apesar de ter recomeçado a criar porcos e cabras, Marino sente que sua vida está estagnada, o que agravou o quadro depressivo. “É muito ruim viver em algo que não é seu, a gente não consegue planejar o futuro”, lamenta ele, “estamos vivendo a vida que a empresa impôs”. Para o trabalhador rural, a Fundação Renova está restringindo direitos, em vez de garanti-los. “A empresa quer ganhar tempo. Nossas vidas estão paradas e não há prazo para nossas questões serem resolvidas”.

Informada sobre a porcentagem de insatisfação dos moradores (cerca de 22% classificou a assistência da entidade como ruim ou péssima; e 18% não respondeu à questão), a Fundação Renova argumentou que o processo de reparação é bastante complexo, não só pelo ineditismo das soluções que precisam ser encontradas, mas também pelo ambiente de “alta informalidade” em que o processo se desenvolve. A entidade informa que cerca de 20 mil pessoas são assistidas pelos auxílios financeiros implementados por ela e que R$ 3,6 bilhões foram destinados para ações de reparação e compensação. A entidade se diz empenhada em discutir e encaminhar as ações de reparação com participação efetiva das comunidades impactadas, por meio de reuniões que já contaram com a participação de cerca de 58 mil pessoas.

Por fim, a Renova informa que irá desenvolver um estudo para avaliar a tendência de aumento de transtornos mentais nesta população, incluindo o uso de álcool e outras drogas. O relatório deverá estar concluído em fevereiro de 2019 e seus resultados serão usados para nortear novas ações na área da saúde.

“O processo tem sido realmente lento e moroso”, acredita Gladston Figueiredo, da Cáritas, “e é por isso que as pessoas estão ficando doentes”. Para ele, o rompimento dos padrões de vida dessa população e a falta de perspectiva para uma resolução apropriada faz com que os moradores se sintam enganados, além de o reassentamento ser discutido mais lentamente do que os atingidos gostariam. “Eles dizem que a Renova está empurrando as questões com a barriga”.

Para Marino, os idosos são os que estão sofrendo com a readaptação pós-tragédia. “Eles passaram a vida inteira naqueles lugares e agora são obrigados a morar na cidade”, relata. O lavrador conta que, quando a lama ainda estava “fresca”, todo dia tinha um repórter na região. Mais de dois anos se passaram e ele teme que a causa seja gradativamente deixada de lado. “É muito triste ficar brigando pra conseguir ter sua vida de volta”.

Como dizia um conhecido repórter, até ao próximo escândalo.

Fonte: National Geographic

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Quando se diz que o Brasil tem um dos comércios mais fechados do mundo, sendo que nossas exportações representam cerca de 1,2% do comércio mundial, segundo a última projeção, sendo apenas o 250 (dados de 2014),  na lista de países exportadores, sendo superado por Tailândia, Suíça e Malásia, dado esse vergonhoso,considerando muitas variáveis; desde criança ouço dizer que somos o país do futuro, possivelmente nunca verei esse futuro chegar. Com tantos índices negativos batendo à nossa porta,  vez ou outra uma notícia alvissareira aparece, como a seguir.

A pesquisa de um professor brasileiro pode ser um passo importante na descoberta de medicamentos para prevenção de Alzheimer e Mal de Parkinson. O estudo do professor Leandro Bergantin, da Universidade Federal de São Paulo, pretendia elucidar o mecanismo pelo qual os bloqueadores de cálcio, usados para reduzir a pressão arterial, por vezes tinham o efeito contrário, porém, no decorrer do trabalho, ele percebeu que o medicamento poderia ser voltado para doenças neurodegenerativas e psiquiátricas.

“Um importante estudo clínico publicado em 2016 descreveu que pacientes hipertensos, os quais faziam uso de bloqueadores de canais de cálcio, possuíam uma significante redução da incidência de Mal de Alzheimer. A partir dessa nossa descoberta, a qual elucida o enigma do “paradoxo de cálcio”, pudemos inferir no mecanismo celular pelo qual os bloqueadores de canais de cálcio também poderiam reduzir a incidência de Mal de Alzheimer”, explicou Leandro Bergantin, doutor em ciência e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O livro publicado a partir da pesquisa, intitulado From discovering “calcium paradox” to Ca2+/cAMP interaction: Impact in human health and disease, esteve entre os mais vendidos da Amazon. Ainda sem versão para o português.

Não há uma previsão para a conclusão dos estudos, que estão sendo feito em parceria com pesquisadores estrangeiros, no entanto, o resultado pode ser um grande avanço para o tratamento de doenças cada vez mais presentes com o envelhecimento populacional.

Cada centavo investido em educação e pesquisa, credencia um povo a galgar grandes feitos de retorno, haja visto o exemplo da Coréia do Sul, que em pouco mais de 3 três décadas saiu do idade da caverna para se tornar um país de ponta; quiçá o futuro venha antes.(Fonte: Agência Brasil).

Tratamento

Novos remédios serão produzidos por quatro laboratórios públicos e sete empresas privadas

O Brasil está passando por um ciclo vicioso, como raras vezes visto, talvez apenas na década de 80, considerada por muitos como a década perdida, que se traduz em uma crise econômica, social, política, vivenciando tempos de estagflação ( estagnação econômica com inflação muito acima da meta), desemprego na casa dos dois dígitos, com os consequentes adventos nocivos à toda sociedade; crise política alimentando a crise econômica, que se retro alimenta, daí o ciclo vicioso. Investimentos de fora receiam chegar ante o caos político instalado; mas nem tudo são más notícias. Vejamos.

O Ministério da Saúde irá investir cerca de R$ 443 milhões por ano para a transferência de tecnologia e aquisição de cinco medicamentos biológicos, que são aqueles produzidos a partir de células vivas, com recursos de biotecnologia.

As novas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) foram anunciadas, nesta quinta-feira (8), durante a 12º reunião do Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde (GECIS). Elas irão diminuir o custo dos medicamentos e incentivar a produção nacional.

Os novos medicamentos, que ao final do processo de transferência de tecnologia serão produzidos por quatro laboratórios públicos e sete empresas privadas, já fazem parte do rol de fármacos distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, todos os biológicos representam apenas 4% da quantidade distribuída pelo SUS e 51% do orçamento da compra.

Ao todo, são cinco medicamentos: adalimumabe e infliximabe (artrite reumatoide); filgrastima e Rituximabe (oncológico); Samatropina (hormônio do crescimento). 

 O ministro da Saúde, Ricardo Barros, ressaltou a importância no investimento em novas tecnologias. “A indústria nacional tem crescido muito no setor saúde. Os laboratórios oficiais terão os recursos necessários para sua atualização e produção de novos medicamentos e produtos. Nosso interesse é comprar o tratamento completo para a população, não apenas medicamentos”, destacou.

Radioterapia

Além das novas parcerias, o ministro anunciou o lançamento do edital para transferência de tecnologia de radioterapia. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (8).

As capacitações, que fazem parte do Plano de Expansão da Radioterapia no SUS, darão oportunidade a Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs) adquirirem conhecimento nas áreas de desenvolvimento e operação de softwares para planejamento 3D, softwares embarcados nos aceleradores lineares e eletronic portal imagining device.

A cooperação será com Varian Medical Systems, empresa contratada pela pasta para execução da ampliação do atendimento oncológico no País. Ao todo, cerca de R$ 500 milhões foram investidos para a aquisição de 80 aceleradores lineares, além da realização de projetos e obras. O Ministério da Saúde estuda a aquisição de outros 20 equipamentos por meio de aditivo ao contrato, firmado em 2014 para a compra dos 80 aparelhos.

Outra iniciativa é a criação de cinco Grupos de Trabalho para discussão de temas relevantes para o complexo industrial. Entre os assuntos estão a revisão do marco regulatório da área; tributos e relações bilaterais; planos de expansão da radioterapia; rotas tecnológicas e propriedade intelectual. As reuniões iniciam em 2017 e, além do Ministério da Saúde, participarão Casa Civil, Ministério do Desenvolvimento, ANS, ANVISA, FIOCRUZ, associações representantes da indústria, entre outros.

Também foi apresentado o projeto de formulário eletrônico para envio de propostas das PDPs. A nova ferramenta, que deve estar disponível na próxima rodada de negociações, trará mais agilidade, uniformidade e segurança ao processo. Essa padronização será tanto no preenchimento das propostas quanto no envio e, posteriormente, em sua avaliação e acompanhamento.

Balanço

O Ministério da Saúde conta com 86 parcerias de desenvolvimento produtivo vigentes, envolvendo 18 laboratórios públicos e 43 privados para o desenvolvimento de 88 medicamentos, quatro vacinas e 13 produtos da área da saúde.

Com o anúncio desta quinta-feira (8), serão incorporados mais sete parcerias ao rol já existente. As PDPs têm como objetivo transferir tecnologias para a produção nacional de medicamentos, insumos e tecnologias estratégicas para a saúde. O prazo máximo para a conclusão do projeto, com a finalização da transferência de tecnologia, será de até dez anos.

Oxalá, essas parcerias sejam portadoras de novos tempos.

Fonte: Ministério da Saúde

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A lei da Água

A vida na terra, tal qual a conhecemos está alicerçada, substancialmente  à sustentabilidade, hoje já ultrapassamos os 7 bilhões de habitantes, a julgar pela exploração desenfreada de nossos recursos naturais, aliados à gigantesca poluição e contaminação de nossos recursos hídricos, fatalmente não será difícil imaginar o nosso futuro desastroso; os críticos desse panorama, dizem que as novas tecnologias prometem resolver ou conviver com o problema da sustentabilidade, será? Haverá espaço para todos, mas os recursos existirão?

A agência espacial norte-americana não está preocupada somente com o que ocorre no céu e nos confins do universo. Ela também está de olho no que pode ocorrer em nosso planeta. E para os problemas da Terra, ela aplica a mesma filosofia que usa para o espaço: não há melhor maneira de solucionar algo do que antecipar-se ao acontecimento.

Para a NASA, um dos problemas mais graves seria o fim da civilização ocidental. Esta catastrófica realidade foi imaginada em um estudo financiado com recursos da organização. Neste trabalho foram analisados os motivos que acabaram com outros impérios no passado, como o romano. E a conclusão é clara: a história pode voltar a se repetir.

Duas importantes realidades estavam presentes em várias sociedades que colapsaram,” diz a conclusão da pesquisa. “A exploração dos recursos devido a uma tensão excessiva sobre a capacidade de produção ecológica e a estratificação da sociedade em elites e classes.” Ou seja, as civilizações que ruíram eram basicamente injustas e exploravam excessivamente os recursos naturais até esgotá-los. Alguma semelhança com a realidade atual?

Os pesquisadores asseguram que nas sociedades pouco igualitárias é difícil evitar o colapso: “Nelas, as elites crescem e consomem muito, o que causa fome entre as classes mais baixas, algo que finalmente leva ao colapso.”

Nestes casos, os mais ricos continuam se aproveitando dos recursos, enquanto os demais passam dificuldades, “exacerbando o problema,” conforme ressaltam os especialistas.

Ainda que nos últimos anos o tema do meio ambiente e da preservação de recursos tenha sido levado mais a sério, os pesquisadores acreditam que está surgindo um novo problema e que a raiz da situação não foi solucionada: “A tecnologia para aumentar a eficiência no consumo de combustível nos carros fez com que a venda de veículos disparasse, com que as novas unidades fossem mais pesadas [e, portanto, consumissem mais] e com que a velocidade na qual eles são conduzidos aumentasse.”

Todas estas situações “engolem” o suposto avanço da eficiência do consumo para proteger o meio ambiente: os carros precisam de menos gasolina para funcionar, mas como cada vez há mais veículos, mais pesados e que andam mais rápido, acabamos consumindo a mesma quantidade de alguns anos atrás.

Os autores dedicam algumas palavras para todos aqueles que pensam que suas conclusões são exageradas e que a sociedade atual é imune a problemas do passado: “Uma olhada rápida sobre todas as sociedades que colapsaram nos últimos séculos demonstra não apenas a ubiquidade do fenômeno, mas também a realidade de que sociedades fortes, ricas e poderosas também podem vir abaixo.”

Os pesquisadores finalizam seu relatório com uma conclusão clara que pode solucionar todos os futuros problemas: “O colapso pode ser evitado e a população pode chegar a um estado de máxima capacidade se a taxa de exploração da natureza se reduzir a um nível sustentável e se os recursos forem compartilhados de uma forma equitativa.”

Oxalá, consigamos reverter ou parar o processo de devastação, até agora os esforços nesse sentido parecem ser infrutíferos.

WTB

Quando se tratam de notícias ruins, o Brasil está sempre no topo das notícias, senão vejamos, o relatório abaixo, feito pelo Instituto Trata Brasil; quando sabemos que grande parte das doenças são veiculadas pela água.
A nossa situação, nesse quesito é lamentável.
Metade da população brasileira não conta com coleta de esgoto e apenas um quarto dela vive em localidades com tratamento dos dejetos, segundo estudo divulgado na quarta-feira (16) pelo Instituto Trata Brasil. O “Ranking do Saneamento nas 100 Maiores Cidades” foi feito com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, relativos a 2014, e mostra que mais de 35 milhões de brasileiros ainda não recebem água tratada.

De acordo com o Instituto Brasil, o país ocupa a 11ª posição entre 17 países analisados pela Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), estando atrás da Bolívia, Peru, Uruguai, Equador, Venezuela, Chile, México, Argentina, Colômbia e Costa Rica.

Nos últimos cinco anos, entre 2010 e 2014, 64% das cidades ampliaram os investimentos em até 29% da arrecadação e apenas 36% delas investiram acima dos 30% arrecadados nesse período. O valor relativo à soma das 20 cidades que mais investiram, em 2014, atinge R$ 827 milhões, quantia bem abaixo do montante arrecadado ( R$ 3,8 bilhões). Na média dos últimos cinco anos, foram investidos R$ 188,24 milhões, o equivalente a R$ 71,47 por habitante.

Em nota, o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, manifestou que “a preocupação é que os avanços em saneamento básico não só estão muito lentos no país, como cada vez mais concentrados onde a situação já está melhor. Estamos separando o Brasil em ilhas de estados e cidades que caminham para a universalização da água e esgotos, enquanto que uma grande parte do Brasil simplesmente não avança”. Ele alertou que, em consequência, a população fica mais vulnerável às doenças.

Na lista das dez cidades com a pior condição na coleta de esgoto, duas não têm nenhum tipo de atendimento do gênero: Ananindeua e Santarém, no estado do Pará. Ainda nesse estado aparece Belém, onde os serviços atendem apenas 12,7% da população.

As demais cidades são: Rio Branco, no Acre, com 21,23% da população atendida; Juazeiro do Norte , no Ceará (21,1%); Teresina, no Piauí (19,12%); Manaus, no Amazonas (9,9%); Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco (6,59%); Macapá, no Amapá (5,54%) e Porto Velho, em Roraima (2,04%).

Já em sentido oposto, dos dez municípios com a melhor situação, metade fica no estado de São Paulo, sem contudo, incluir a capital paulista: Franca, com 100% de atendimento; Piracicaba, com 99,95%; Santos, com 98,54%; Ribeirão Preto, com 98,5% e Santo André, com 98%%. Três são de Minas Gerais: Belo Horizonte (100%); Contagem (99,66%) e Uberaba (98%). As demais são: Curitiba, no Paraná com 99,18% e Volta Redonda, no Rio de Janeiro, com 98,96%.

Em relação ao tratamento de esgoto, entre as dez piores, três estão no estado de São Paulo: Bauru (3,75%); Itaquaquecetuba (3,68%) e Mauá (2,69%). Em metade do grupo, não existe nenhum tipo de tratamento: Ananindeua, Santarém, Porto Velho, São João do Meriti e Governador Valadares. Em Nova Iguaçu, o número é bem pequeno (0,05%), e em Belém do Pará (2,25%).

Sobre o acesso à água potável, o levantamento aponta para as 20 cidades com a melhor situação e cobertura total: Belo Horizonte; Campina Grande; Ribeirão Preto; João Pessoa; Curitiba; Canoas; Porto Alegre; Santos; são Bernardo do Campo; Diadema; Carapicuíba; Uberlândia e Florianópolis. Já as dez piores são: Ananindeua (26,89%); Porto Velho (31,43%; Macapá (36,92%); Santarém (45,34%); Rio Branco (50,21%); Caucaia (67,58%); aparecida de Goiânia (70,7%); Jaboatão dos Guararapes (73,19%); Gravataí (75,21%) e Belford Roxo (80,05%). (Fonte: Agência Brasil)

Embora o gênero Aedes, tenha sido descrito  desde 1818, e ganhou do grego esse nome que quer dizer ODIOSO e do latim aegypti – do Egito.
Aqui aportou com os primeiros navios de escravos, tendo sido considerado erradicado na década de 50, mas voltando nos anos 60 e 70 e se instalando em definitivo, agora ganhando contornos epidêmicos, sem precedentes, se adaptando recentemente até mesmo em águas não limpas. A Universidade de Oxford, detém a técnica da transgenia desse parasita, e possui estudos nas Ilhas Cayman, Brasil e Panamá, tendo sido a cidade de Piracicaba, escolhida para o experimento, com eficiência de controle em mais de 90%( Wikipédia).

O crescimento do número de casos de dengue na região tropical da Ásia tem colocado as autoridades globais em alerta, temendo que a região mais populosa do mundo se torne o próximo foco da doença.

Países como a Índia – no sul da região – e os vizinhos do Sudeste Asiático admitem que o risco de contaminação pelo zika é alto devido à presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou “especialmente o Sudeste Asiático” como a área mais vulnerável para a proliferação do zika vírus entre as regiões sob risco na África, Ásia e algumas partes da Europa.

O diretor da OMS para o Sudeste Asiático, Poonam Khetrapal Singh, disse que o zika “é motivo de preocupação” na região devido à presença do mosquito transmissor em muitas áreas.

A organização instou os países do Sudeste Asiático a “reforçar a vigilância e tomar medidas preventivas” contra o vírus, “altamente suspeito de ter uma relação causal com um grupo de microcefalia e outras anormalidades neurológicas”, diz a OMS.

Nas Américas, o avanço da microcefalia ligada ao zika vírus foi declarado emergência internacional pela OMS.

Dengue – Na Ásia, a Tailândia é o país com maior número de casos confirmados de zika. O primeiro caso foi identificado em 2012 e desde então há uma média de cinco diagnósticos confirmados anualmente, de acordo com o Ministério de Saúde Pública.

Neste ano, apenas um caso, no norte do país, foi comprovado.

O país é também o único da região que rejeita publicamente a ideia da iminência de um surto de zika entre suas fronteiras.

“Os tailandeses não devem se preocupar, a Tailândia não tem nenhum surto desta doença (zika). Tenham confiança no sistema de vigilância”, afirmou Amnuay Kajina, diretor-geral do Departamento de Controle de Doenças do Ministério da Saúde, em comunicado, na quarta-feira.

Ao mesmo tempo, porém, os tailandeses se preparam para enfrentar um dos piores anos de epidemia de dengue, que pode ser 16% maior do que no ano passado. Estima-se que 166 mil pessoas serão contaminadas pelo vírus em 2016, de acordo com o ministério.

A versão adotada por alguns médicos e especialistas tailandeses para explicar por que os casos de dengue já cresceram, mas os de zika não, apesar da presença do vírus no país, seria uma espécie de “imunidade” adquirida por outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como a encefalite japonesa e a própria dengue.

Essa suspeita, no entanto, é contrariada pelo Ministério de Saúde Pública da Tailândia e pela OMS, que afirma não haver “nenhuma evidência de imunidade ao vírus” na região.

Esse é um ponto polêmico entre os especialistas. Na avaliação do médico indiano Krishan Kumar Aggarwal, a infecção prévia com o vírus da dengue pode apenas dificultar o diagnóstico de zika no teste de laboratório, mas não criar uma barreira protetora contra a doença.

“Não se trata de imunidade específica do vírus da dengue. Pode haver um cruzamento de reações de anticorpos do zika e (dificultar) o diagnóstico”, afirmou à BBC Brasil Aggarwal, secretário-geral da Associação Médica da Índia.

Índia – Na Índia não há casos comprovados de zika, mas a proliferação da dengue é alarmante. No ano passado, cerca de 80 mil pessoas teriam sido infectadas pelo vírus da doença, de acordo com dados oficiais.

Estimativas extraoficiais, porém, indicam que o número de doentes seja no mínimo 100 vezes maior no país, que tem cerca de 1,3 bilhão de habitantes.

O representante da Associação Médica da Índia admite que o país está “potencialmente em risco” de sofrer um surto de zika. No entanto, segundo ele, “não necessariamente (haverá contaminação). O vetor da febre amarela é o mesmo da dengue, mas a febre amarela nunca entrou na Índia”.

“O mosquito pode estar presente, mas o vírus pode se comportar diferentemente em distintos países”, acrescentou.

Entre os vizinhos, a preocupação é evidente. Na Indonésia, país que também sofre com a proliferação da dengue, o primeiro caso de zika foi confirmado na terça-feira. Os governos da Malásia e Singapura admitiram que há um “alto risco” de o zika vírus ser “importado” para seus países.

Olimpíada – O trânsito de atletas de diferentes continentes e de turistas que acompanharão os Jogos Olímpicos no Rio são outro elemento de preocupação relacionado à “migração” do vírus para outras regiões ainda não afetadas pelo zika.

“O risco (de migração do vírus) existe”, afirmou Aggarwel, da Associação Médica da Índia.
Na semana passada, o Comitê Olímpico Internacional (COI) emitiu uma nota aos comitês nacionais explicando as medidas tomadas para conter o avanço do vírus, reafirmando que acompanha a situação junto à OMS e ao governo brasileiro.

As arenas dos Jogos, disse o órgão, “serão inspecionados diariamente para garantir que poças de água parada – onde os mosquitos se reproduzem – sejam removidas, minimizando assim o risco de que atletas e visitantes entrem em contato com os mosquitos”. (Fonte: G1.

Contudo, o evento olímpico, no Rio, certamente, será um difusor para o mundo dessas doenças e quiçá de uma epidemia de gripe, que se espera a qualquer momento; não faltava mais nada.