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Archive for Setembro, 2018

As pegadas que deixamos na natureza, podem ser “APAGADAS”, pelo menos em parte nos oceanos, mediante uma nova tecnologia revolucionária, indo muito além da remoção pura e simples por iniciativa de pessoas, limitado ás praias; entretanto esse projeto é bem mais alvissareiro, vejamos.
Oceano com barreira de contenção
Objetivo do ‘projeto serpente’ é coletar lixo da chamada ‘ilha de lixo’ do Oceano Pacífico (Crédito: The Ocean Cleanup)

Quando o adolescente holandês Boyan Slat entrou no mar na Grécia há sete anos, ficou surpreso ao ver mais plástico do que peixe na água. Ficou tão incomodado com a poluição que começou a fazer campanha pela limpeza dos oceanos.

Durante muito tempo, poucas pessoas o levaram a sério. Era apenas um universitário com uma ideia na cabeça. Uma ideia que, à primeira vista, parecia estapafúrdia.

Mas, neste sábado, com o respaldo de grandes investidores e um ambicioso trabalho de engenharia, Slat conseguiu lançar um enorme sistema de coleta de plástico que se assemelha a uma serpente. O dispositivo saiu da baía de São Francisco (EUA) com destino à grande “ilha de lixo” do Pacífico – que fica localizada entre a Califórnia e o Havaí.

Até agora, o foco das campanhas de coleta de plástico tem sido nas praias e consiste, basicamente, em reunir voluntários ao redor do mundo para recolher sacolas plásticas e garrafas do litoral.

Mas poucas são as iniciativas de tentar limpar os oceanos por dentro.

Alguns especialistas se mostram céticos com a iniciativa de Slat. E, apesar dos testes e simulações digitais, ninguém sabe ao certo se a “serpente” vai funcionar.

Por um lado, alguns acham que poderia ser uma distração para o problema mais eminente: o despejo de plástico no mar. Por outro lado, há o receio de que a operação possa causar sérios danos à vida marinha.

Mas Boyan Slat e sua equipe da organização sem fins lucrativos The Ocean Cleanup (A Limpeza do Oceano, em tradução livre) estão convencidos de que a enorme quantidade de plástico nos oceanos exige ação imediata.

Boyan Slat
Até quem tem ressalvas em relação ao efeito prático da ideia de Boyan Slat aplaude a iniciativa de se tentar limpar os oceanos por dentro (Crédito: The Ocean Cleanup)

Qual é o objetivo?

O objetivo da equipe de Slat é alcançar o Pacífico oriental, em especial a ilha da sujeira, onde as correntes circulares marinhas têm concentrado uma grande quantidade de plástico em uma única área.

A meta é reduzir à metade a contaminação dessa área a cada cinco anos, de modo que em 2040 todo o lixo tenha desaparecido.

“Temos muita pressa”, disse Lonneke Holierhoek, diretora de operações do projeto, cuja sede fica em Rotterdam, na Holanda.

O governo holandês é um dos principais patrocinadores, junto com algumas empresas e investidores endinheirados. O projeto, estimado em pelo menos US$ 20 milhões (R$ 80 milhões), já deixou de ser uma ideia de um jovem para se transformar numa iniciativa internacional.

No escritório do projeto, é forte o cheiro de algas e lixo. Nas mesas e no chão, há caixas cheias de fragmentos de plástico, trazidos do mar em expedições anteriores e que representam um lembrete da tarefa que os envolvidos na empreitada têm pela frente.

“Se não fizermos isso”, diz Holierhoek, “todo esse plástico começará a se decompor em pedaços cada vez menores, e quanto menores as peças, mais prejudiciais serão e mais difícil será extraí-las do ambiente marinho.”

Holierhoek é uma engenheira que tem passado as últimas duas décadas dedicando-se a projetos distantes das costas. Não é uma ativista, mas alguém com grande experiência em trabalhar com enormes estruturas no mar.

Para ela, o projeto serpente é um esforço legítimo para tentar reverter a maré de contaminação. “Mais do que falar do problema ou de protestar, trata-se de tentar resolvê-lo”, afirma a engenheira.

Como funciona?

O principal elemento do “projeto serpente” é o sistema de coleta, que é passivo. Isso significa que não há mecanismos ou máquinas. Em vez disso, foi projetado para se mover e pegar gentilmente qualquer plástico em seu caminho.

A máquina tem a forma de uma cobra gigante e é composta por seções de tubos. Mede 600 metros de comprimento e flutua em forma de “U”. Por baixo, carrega uma tela de três metros.

O objetivo é que o sistema de coleta capture plásticos até formar uma massa densa. O peixe deve poder nadar debaixo dele e, como o aparelho tem superfícies lisas, a esperança é que nenhuma espécie sofra danos.

O sistema leva câmeras a bordo, cuja função é monitorar a operação. Aproximadamente a cada seis semanas, um navio viajará até a “serpente” para coletar todo o plástico coletado e levá-lo ao continente, onde será reciclado.

Baia de San Francisco.
“Temos muita pressa”, disse Lonneke Holierhoek, diretora de operações do ‘projeto serpente’ (Crédito: The Ocean Cleanup)

Todo material recuperado deve ser transformado em produtos a serem comercializados com o selo de “feitos a partir de plástico marinho”. Eles serão vendidos a um preço mais alto.

Quais são os potenciais problemas?

Alguns especialistas ouvidos pela BBC News temem que a vida marinha sofra danos.

Qualquer coisa que seja lançada ao mar se cobre de algas rapidamente, atraindo plânctons que, por sua vez, atraem peixes pequenos e, em seguida, peixes maiores.

É por isso que, por exemplo, frotas de pesca industrial instalam “dispositivos de agregação de peixes” para fazer o papel de engodo.

Mas Lonneke Holierhoek tem uma resposta a essas questões. Ela Afirma que um estudo ambiental independente descobriu que esse impacto pode ser minimizado, por exemplo, gerando um ruído pouco antes de o plástico ser coletado, a fim de afugentar o peixe.

Mas Sue Kinsey, da Sociedade de Conservação Marinha, é uma das que não está convencida de que o projeto serpente vai ajudar a resolver o problema da poluição sem causar danos.

Ela diz admirar a paixão e força de vontade dos envolvidos com o projeto, mas o vê com ressalvas.

Lixo coletado do mar
A cada ano, milhões de toneladas de lixo vão parar nos oceanos

“O principal problema são as criaturas que flutuam passivamente no oceano e não conseguem sair do caminho: uma vez que estão nesse campo, elas ficarão presas sem poderem se mover”, diz.

Ela também garante que, em termos de custo, é mais eficaz limpar as praias e se concentrar em evitar que mais plásticos cheguem aos oceanos.

O professor Richard Lampitt, do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido, também elogia o projeto, mas reconhece que grande parte do plástico que vai parar no mar afunda relativamente rápido, de modo que o esforço não faria uma grande diferença.

Lampitt também destaca os efeitos ao meio ambiente para a construção e execução do projeto serpente, que prevê a construção de 60 dispositivos de coleta e o transporte dos barcos em sua ida e volta, tudo para recuperar aproximadamente 8 mil toneladas de plástico por ano.

“A relação de custo benefício não é nada vantajosa”, diz o professor.

No entanto, um dos pesquisadores do projeto, Laurent Lebreton, diz que o esforço vale a pena. Ele argumenta que os resíduos humanos têm um impacto negativo no mundo natural.

Engenheiros trabalham no projeto
O plástico se tornou parte da cadeia alimentar”, diz Laurent Lebreton, um dos pesquisadores do ‘projeto serpente’ (Crédito: The Ocean Cleanup)

Lebreton mostra como um pequeno pedaço de coral branco cresceu em torno das fibras de uma velha rede de pesca e como na borda irregular de uma garrafa de plástico há marcas inconfundíveis de dentes deixados pela mordida de um peixe.

“Os peixes engolem esse plástico e esses mesmos peixes acabam em nosso prato mais tarde, o plástico se tornou parte da cadeia alimentar”, diz Lebreton.

“Há uma solução: primeiro você precisa ter certeza de que o plástico não entra no ambiente natural, e então você tem que coletar tudo o que acumulamos desde a década de 1950”, acrescenta.

O sistema de coleta levará três semanas para chegar à ilha de lixo, localizada a cerca de 2 mil quilômetros da costa da Califórnia.

Ainda neste ano, deverão estar disponíveis os primeiros resultados de como está funcionando o primeiro projeto serpente, que pretende limpar os oceanos por dentro.

Fonte: BBC

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Nem tudo são más notícias para o Brasil; agora  poderemos contar com soro antiapílico ( anti veneno  de abelhas) graças a uma pesquisa brasileira da Unesp, inédita no mundo.

Quem é picado por cobra, sabe que tem que correr para o hospital, pois o soro antiofídico pode salvar uma vida. Se alguém sofre acidente com aranha, escorpião também há medicamentos para cortar o veneno, mas e se for picado por abelhas? Agora existe soro para isso e é uma criação brasileira, da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em parceria com o Instituto Vital Brazil. O produto ainda está em fase de testes, mas já com ótimos resultados.

No Brasil, acontecem milhares acidentes com abelhas, todo ano, como aconteceu com a Camila Presoto em agosto de 2016. Ela e o marido tentavam resgatar uma vaga que estava caída em uma ribanceira, quando um enorme enxame se desprendeu de um tronco e impediu o resgate. As abelhas atacaram a Camila. “Foram em torno de 400 a 600 picadas. Sendo 80% na cabeça. Eu imaginei mesmo que ia morrer”, conta Camila.

Camila mora na cidade de Avaré, oeste do Estado de São Paulo, onde trabalha como professora. Mas, na época do acidente, vivia numa fazenda de produção de leite. “Fiquei bem deformada, com dor muscular, inchaço, mancha, me falaram que eu estava com insuficiencia renal”, lembra Camila.

Talvez a Camila não tivesse sobrevivido caso não houvesse sido transferida de Avaré para Botucatu, onde fica a Faculdade de Medicina da Unesp. A faculdade já estava com o soro antiapílico desenvolvido, mas o medicamento inédito nunca tinha sido aplicado em ninguém.

O soro antiapílico se refere a “apis”, que vem do latim, significa abelha. Não está à venda. É de uso exclusivo em pesquisa, só em dois lugares do país: a UPECLIN – Unidade de Pesquisa Clínica da Faculdade de Medicina de Botucatu; e o Hospital Nossa Senhora da Conceição da UNISUL, Universidade do Sul, em Tubarão, Santa Catarina.

Ela conta como aceitou ser cobaia. “Querendo ou não, os remédios que a gente toma para dor de cabeça, teve uma pessoa que experimentou”, fala Camila.

O soro antiapílico é colocado na bolsa de soro fisiológico e, gota a gota, vai sendo infundido lentamente. A quantidade depende do número de picadas.

Outra pessoa que recebeu o soro antiapílico foi o cabo Maurício Lofiego, da Primeira Companhia da Polícia Militar em Botucatu.

Maurício descreve que o meliante embrenhou-se no mato. Ao conduzir o mesmo de volta à viatura, eis que foram atacados por um enxame de abelhas. A sorte do policial foi ter sido levado rapidamente ao posto que fazia o ensaio clínico com o soro. “Eles apresentaram um estudo que estava sendo desenvolvido, que era o soro de abelha e se eu queria fazer parte desse estudo. Não tive sequela”, conta Maurício.
Quem fornece o veneno para a produção do soro antiapílico é o próprio Setor de Apicultura da Unesp de Botucatu, coordenador pelo professor Ricardo Orsi. Não é uma colheita abundante. A extração em dez mil abelhas proporciona apenas um grama de veneno em pó.  A técnica de colheita é antiga. Baseada em choque elétrico.

Usa-se uma placa de acrílico com arame ligado a uma bateria. A abelha não morre. “A gente se preocupa com o bem-estar animal, então a gente se preocupa em fazer uma colheita de forma adequada para que a gente não leve um prejuízo para o desenvolvimento do enxame como um todo”, explica Orsi.

O que muita gente não sabe é que quando a abelha pica um animal ou uma pessoa, a ela perde o ferrão, que crava na pele. Ao levantar voo, fica retida a pontinha do corpo onde está inclusive a bolsa de veneno, que fica pulsando, liberando pequenas gotas tóxicas.

No coletor, não acontece isso, não tem superfície para cravar o ferrão. Ao sentir um pequeno choque, a abelha identifica o objeto como um inimigo a ser eliminado. Ferroa, mas só libera o veneno. O veneno já solidificado é, então, raspado e recolhido a um pequeno tubo. Depois vai para purificação e processamento nos laboratórios do Cevap (Centro de Estudos de Animais Peçonhentos da Unesp).

A importância dos equinos na fabricação do soro

Para mostrar como se faz o soro, de Botucatu, o Globo Rural foi para um haras de Cachoeiras de Macacu, norte do Rio de Janeiro. No local fica a criação de cavalos do Instituto Vital Brazil, uma das 21 instituições brasileiras que produzem soros e vacinas.

A tropa de produção de soro do Instituto Vital Brazil recebe uma alimentação reforçada, equivalente a dos animais de trabalho. Oito quilos de capim picado por dia, mais quatro quilos de ração, sal mineral, pasto à vontade, além de música clássica. É quase um convite à meditação embalado por bufos e compassados movimentos de mandíbulas. A tropa recebe lida gentil. Nada chicote, ferrão, gritaria.

Da tropa sai material para a produção de soros contra cinco tipos de picadas de cobra; aranha, escorpião e abelha. O veneno trabalhado nos laboratórios da Unesp, chega pronto para ser injetado em sessões espaçadas ao longo de uma semana. Cada animal recebe, ao todo, meio litro. O equivalente às picadas de cinco mil abelhas, mas não é o veneno bruto.

“Um dos desafios tecnológicos desse soro foi a retirada da fração tóxica que gerava dor e alergia nos cavalos”, fala o veterinário Marcelo Strauch.

O veterinário Marcelo Strauch, que coordenou a parceria entre o Vital Brazil e a Unesp, lembra antes, o cavalo ficava prostrado de dor no chão de dor. Mas isso não acontece mais. O cavalo não sente como se estivesse sendo picado por uma abelha. Assim, o animal passa sem problemas a quarentena de produção de anticorpos, as imunoglobulinas que vão bloquear e neutralizar o veneno.

O Globo Rural acompanhou a sangria do cavalo identificado como 375. Funciona como uma doação. Patrícia Castanheira, responsável pelo setor de imunização, informa que o animal em produção de anticorpos passa por quatro sessões de doação. Em cada uma, tiram dele uma bolsa de sangue, com cerca de oito litros. Uma quantidade segura para o animal. Sangue precioso: é como se o cavalo 375 tivesse sido super vacinado e dado uma resposta hiperimune de anticorpos.

Não é todo o sangue que é retirado do cavalo que vai para a fabricação do soro. A parte líquida cor de guaraná, que é o plasma, delicadamente, vai para outra bolsa. A parte vermelha volta para a origem. No caso, o 375 recebe uma reinfusão.

Na sede e a área industrial do Instituto Vital Brazil, em Niterói, no Rio de Janeiro, o líquido é diluído em água de altíssima pureza e submetido a um sofisticado processo de separação  para que somente fiquem presentes os anticorpos produzidos pelo cavalo. Passa ainda por uma filtração esterelizante e um rigoroso teste de controle de qualidade para, então, ir ao envase.

“É a primeira vez que se faz no mundo, o soro antiapílico, com tecnologia desenvolvida totalmente no Brasil, pelo Cevap e Instituto Vilta Brazil”, conta diretor industrial do Vital Brazil, Luiz Eduardo Cunha.

O diretor industrial do Vital Brazil explica que o anticorpo é uma proteína com formato de ‘y’. A parte de baixo, que indica a origem equina, é cortada fora. As duas hastes de cima ficam no soro. Quando injetadas no corpo de uma pessoa, localizam as moléculas de veneno e ativam os fagócitos, os soldadinhos glóbulos brancos que vão eliminar as substâncias tóxicas.

O desenvolvimento do soro antiapílico é o resultado de mais de 20 anos de pesquisa da Unesp, especialmente, de dois cientistas: doutor Benedito Barraviera, um dos fundadores do Cevap; e doutor Rui Seabra, atual diretor da instituição e que dedicou mestrado, doutorado e pós-doutorado ao novo medicamento.

Mas o soro antiapílico ainda não está disponível. A Anvisa determina que seja feito também um ensaio de eficácia do produto com um grupo de 300 pacientes, Brasil afora. Tudo dando certo, como até agora, até 2020, o soro poderá estar na rede pública de saúde.

Fonte: Globo Rural

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