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Archive for Abril, 2010

Além de açúcar, álcool, energia elétrica e plásticos, uma nova tecnologia promete revolucionar o uso dos pneus, que até então, são fabricados com um derivado do petróleo e diminuindo a pegada de carbono na produção desse insumo.

Além de usar biocombustível, os motoristas logo poderão dirigir carros que utilizam “biopneus”, ou pneus verdes, menos ecologicamente danosos dos que os pneus atuais. Nos biopneus, um dos principais ingredientes dos pneus tradicionais, derivado do petróleo, é substituído por um composto derivado de plantas. Hoje, cada pneu fabricado consome 26 litros de petróleo. A cada ano, são produzidos perto de um bilhão de pneus. E ainda não há uma solução definitiva para a reciclagem dos pneus usados. Biopneus – Como no caso do etanol brasileiro, a solução para a fabricação dos pneus verdes, a partir de matérias-primas renováveis, pode vir da cana-de-açúcar, mas também do milho e até de uma gramínea, a switchgrass, muito pesquisada nos Estados Unidos. O novo processo usa os açúcares derivados da biomassa para produzir um composto químico chamado isopreno, hoje um derivado do petróleo, um dos principais componentes do pneu. “Tem havido uma busca intensiva, há anos, por fontes alternativas de isopreno, em particular a partir de recursos renováveis, como a biomassa,” disse o Dr. Joseph McAuliffe, que apresentou o novo processo durante a Conferência Anual da Sociedade Química Americana, nos Estados Unidos. “Um dos desafios técnicos tem sido o desenvolvimento de um processo eficiente para converter os açúcares em isopreno. Nós resolvemos isto utilizando um processo de fermentação baseado em uma cepa de bactérias geneticamente modificadas para converter os carboidratos da biomassa em nosso bioisopreno,” diz McAuliffe, que trabalha para a Genencor, uma empresa de biotecnologia. Bioisopreno – A empresa agora firmou um contrato com a Goodyear, uma das maiores fabricantes de pneus do mundo, para levar o processo para escala industrial, integrando o processo de fermentação, recuperação e purificação do bioisopreno. O isopreno tem várias utilizações além da fabricação de pneus, de luvas cirúrgicas e produtos de higiene feminina a adesivos de alta fusão e copolímeros de bloco. Sua produção atinge quase um bilhão de toneladas anuais. “Este é um mercado enorme,” disse McAuliffe. “O bioisopreno servirá como uma alternativa renovável e economicamente competitiva ao isopreno. É o tipo de material que poderá abrir novos mercados, por isso eu acredito os números de consumo atual do isopreno subirão muito quando o isopreno renovável estiver disponível,” prevê ele. O pesquisador afirma que o isopreno derivado da biomassa poderá estar no mercado dentro de cinco anos, viabilizando o início da produção dos pneus verdes. É muito provável que os produtos de valor agregado na agro indústria açucareira, oriundos de novas tecnologias, sejam mais competitivos do que os produtos base, fornecendo ampla contribuição ao meio ambiente.

(Fonte: Ambiente Brasil)

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A carta do Zé

 

Qualquer semelhança, NÃO é mera coincidencia……

 

Luis, quanto tempo!

Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão, por isso o sapato sujava.

Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo… hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite.

De madrugada pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?

Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro… Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade.

To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente..

Veja só. O sítio do pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.

Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, né Luis?

Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né …) contratei o Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou. Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ô, bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?

Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.

Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos, tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luis, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudí-lo.

Depois que o Juca saiu, eu e Marina (lembra dela, né? casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite de carroça até a beira da estrada onde o carro da cooperativa pega todo dia,isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.

Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luis, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande né?

Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata ciliar, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado.

Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luis? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.

Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso..

Tô preocupado Luis, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia.. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.

Eu vou morar ai com vocês, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom que vocês e só abrir a geladeira que tem tudo.. Nem dá trabalho, nem planta, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.

Até mais Luis.

Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não existe por aqui, mas aguarde até eu vender o sítio.

*(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros.. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.) * “Na prática, a teoria é outra.”

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Com a participação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o presidente da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank, diretores da empresa Coca-Cola, e a gerente de Operações do Instituto Akatu, Heloisa Mello; importante reunião havida no jardim Botânico do Rio, na última quinta-feira, foi celebrado um novo marco na área ambiental, onde o setor sucro-alcooleiro oferece importante contribuição para a minimização do uso de recursos fósseis, com a iniciativa da Coca-Cola em utilizar nas embalagens das garrafas PET de 500 e 600 ml, cerca de 30% em sua composição a partir da produção de uma resina da cana-de açúcar, dando origem à embalagem parcialmente vegetal, fato esse que diminuirá em cerca de 25% as emissãoes de CO2 pela empresa, podendo impulsionar o setor sucro-alcooleiro. Devido à origem parcialmente vegetal (30% à base da cana), a embalagem contribui para a diminuição de até 25% nas emissões de CO² geradas pela Coca-Cola. De acordo com a empresa, a nova garrafa tem a comercialização prevista para abril nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Porto Alegre. Sem mudança de propriedades químicas, cor, peso ou aparência em relação ao PET convencional, a PlantBottle, como está sendo chamada a nova embalagem, é 100% reciclável e vai participar da cadeia de reaproveitamento de materiais no País. Inicialmente, a versão ecológica da PET será feita nas embalagens de volumes citados anteriormente e nos demais posteriormente. Sem mudança de propriedades químicas, cor, peso ou aparência em relação ao PET convencional, a PlantBottle, como está sendo chamada a nova embalagem, é 100% reciclável e vai participar da cadeia de reaproveitamento de materiais no País. Hoje, 55% das PETs são recicladas. A expectativa é de que, em 2010, a produção inicial das garrafas PlantBottle resulte na redução do uso de mais de cinco mil barris de petróleo e, até 2020, a produção seja da PET seja feita com 100% da resina de cana. O Brasil é um dos primeiros mercados a adotar a PlantBottle e há a expectativa de que outros fabricantes e países possam aderir à iniciativa, que em todo o mundo será fabricada com etanol brasileiro. Segundo os dirigentes da empresa, a cana-de-açúcar utilizada para produzir as garrafas provém de fornecedores auditados, que utilizam essencialmente a irrigação natural (chuva) e a colheita mecânica. O plástico da embalagem é produzido a partir da reação química de dois componentes: MEG (monoetileno glicol), responsável por 30% de seu peso, e PTA (ácido politereftálico), responsável pelos 70% restantes. O lançamento da garrafa também está alinhado com a campanha “Consumo Consciente de Embalagens”, do Ministério do Meio Ambiente. A campanha oficial tem cunho educacional e sugere atitudes e boas práticas para consumidores e empresas, no sentido do uso cada vez mais racional, consciente e responsável das embalagens. Iniciativas como essa, deverão a cada dia mais, permear a cadeia produtiva, agregando valores, onde de um lado há vantagens econômicas e de outro minimização de impactos ambientais, no sentido de se implementar sempre busca da diminuição da pegada de carbono; tornando possível o que conhecemos como produção sustentável. (Fonte: Ambiente Brasil)

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